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CAPITULO DEZENOVE

Mais uma vez me espatifei no chão. Dessa vez consegui fazer algumas manobras no ar para atenuar o máximo possível minha queda. Acabei caindo de bunda em um enorme poço de lama. Minha sorte. Se tivesse sido nos rochedos, essa hora estaria em pedaços. Quando recobrei a consciência após a queda, percebi uma enorme nuvem de fumaça, que de certa forma atrapalhava muito minha visão. Onde estaria o velhote?

Sai do poço de lama. A poeira já começara a baixar, eu só conseguia ver os destroços da cadeira espacial do velhote. Andei um pouco em círculos até avistar um corpo caído próximo a um rochedo. Caminhei vagarosamente até ele. Eu já sabia. O velhote não havia resistido a queda. Agachei até próximo ao seu corpo, botei minha mão por baixo de sua cabeça e virei seu rosto. Nunca havia visto um expressão tão feliz de uma pessoa que acabara de morrer. O velhote estava morto com um belo sorriso em seu rosto.

Puxei meu caderno de desenhos, em uma última homenagem ao velho, fiz um belo desenho de uma cadeira de rodas voando e sorrindo em direção ao céu. Eu sou um pistoleiro solitário. Mas prezo muito as amizades que faço pelo caminho. E sem dúvida o velhote foi uma delas. Arranquei a folha de meu caderno de desenho. Ergui até altura de minha cabeça e a soltei. A folha voou em direção ao céu desaparecendo com o brilho das estrelas.

– Vai com Deus meu caro amigo. – Falei tirando meu chapéu e colocando próximo a meu peito.

Fiz um minuto de silêncio em homenagem a velhote. Minuto esse interrompido por uma voz familiar aos meus ouvidos.

– Então é você mesmo Sombra Negra…O bom e velho mercenário negro por essas bandas…

– Eu imaginei que seria você. Até que enfim nos encontramos novamente Jared.

Jared era juntamente comigo e Mortor um dos líderes dos cavalheiros do apocalipse. Fomos grandes amigos no passado. Até quando nossas filosofias não cruzou mais. Duelamos por três dias seguidos. Não consegui mata lo, mas arranquei seus dois braços para nunca mais pegar em uma arma. Vejo que o filho da mãe conseguiu superar isso.

– Vejo que está se virando muito bem sem seus braços Jared…Acho que te fiz um favor em arranca los. Nunca atirou tão bem mesmo com eles.

–  Continua com um ótimo senso de humor Sombra…Dessa vez vai ser diferente. Temos uma dívida pistoleiro. E eu estou aqui para cobra lá.

– Não vou apenas arrancar seus braços Jared…Vou arrancar sua cabeça. Você matou uma pessoa que não merecia morrer. Não o pouparei hoje meu velho amigo.

– Vejo que continua com o mesmo defeito Sombra. Esse seu apego sentimental as pessoas vai acabar te matando.

– Talvez sim. Mas não hoje…

– Prepare se então pistoleiro. Você vai conhecer o inferno. Eu vou mandar sua alma para o purgatório. Vou acabar com você Sombra Negra.

– Me desculpe meu amigo Jared. Eu já conheço o inferno. Entro e saio dela a hora que eu quiser. Agora você vai sentar no colo do capeta rapidinho.

Tenho certeza que não será fácil acabar com ele. Jared mesmo sem os braços parece mais poderoso do que nunca.  Vou ter que dar o máximo dessa vez. Se não o fizer, ele acaba comigo em pouco tempo.

 

Um de frente para outro, ambos nos estudávamos antes de atacar. Jared foi um dos pistoleiros mais habilidosos e mortais que eu já enfrentei. Em nossa primeira batalha, quase me matou. Tive que dar tudo de mim. Eu não o matei em respeito aos anos juntos nos cavalheiros do apocalipse. Mas fiquei tão puto que arranquei seus dois braços. Bati tanto em sua cara, que Jared parecia mais uma múmia enfaixada. Realmente ele estava com aparência muito diferente, e bem mais sinistra.

Até agora, pairava uma dúvida sobre mim. Como Jared conseguiria atirar sem ambos os braços? Como iria ocorrer essa batalha? Um pistoleiro sem os braços contra o grande Sombra Negra. Não poderia ficar mole também, afinal ele havia acabado com o velhote as bruxas dragões em nosso encalço. Havia algo de muito poderoso nele.

Nos mantivemos em posição de combate por alguns minutos. Num piscar de olhos, duas armas de um calibre desconhecido saltaram de ambos os coldres de Jared. As duas giravam no ar com uma velocidade incrível, eu não podia acreditar no que estava vendo. Jared estava usando magia e das fortes. Antes mesmo que pudesse recompor me da surpresa das armas voadoras, Jared jogou sua língua para fora da boca com uma extensão absurda. A língua se moveu em uma fração de segundos e apertou o gatilho de ambas as armas voadoras. Os tiros foram tão rápidos que quase não tive tempo de esquivar me. Dei um rolamento para o lado esquerdo, e a saraivada de bala passou rente ao meu corpo. Simplesmente incrível. Jared, havia se transformado em uma aberração de língua cumprida, e atirava melhor com sua língua, do que com seus braços quando o tinha.

Quando me pus de pé de novamente, notei que as armas caíram direitinho em ambos os coldres de Jared, que ainda recolhia sua enorme língua de sapo.

– Dessa vez você conseguiu se superar Jared. Realmente a língua tem diversas utilidades, agora para atirar, nunca tinha visto.

– Vejo a surpresa em seus olhos Sombra. Nunca ouviu falar em adaptação das espécies. Hoje até agradeço por ter arrancado meus braços. Me tornei um pistoleiro muito mais temido e poderoso desde então. Chegou a hora de minha vingança pistoleiro negro. Prepare se…

Antes mesmo que pudesse falar algo, a enorme língua de Jared, saiu novamente de sua boca, e dessa vez tirou de suas costas uma metralhadora giratória. Jogou a para o alto, e com uma habilidade monstra, girou a mesma no ar, começando a disparar rajadas intermitentes poderosíssimas. Dessa vez, minha rapidez para se livrar das balas não foi suficiente. Uma das rajadas pegou em cheio minha perna direita, e um pouco acima de meu quadril. Cai na mesma hora, com minha carne queimando de dor.

A metralhadora continuava no ar sem qualquer coisa que a segurasse. A enorme língua de Jared voltara a sua boca. Sua cara de satisfação era notável ao me ver caído sangrando.

– Então o poderoso Sombra Negra sangra e sente dor igual uma mulherzinha.

– Sangra, até sangro, meu caro amigo língua de fazer boquete em dinossauro…Mas sentir dor com um calibre fraco desses, ai está de sacanagem cara de sapo.

Ambas as armas de Jared saíram de seu coldre novamente. Agora além da metralhadora giratória que pairava sobre sua cabeça, mais duas pistolas giravam no ar em prontidão pata atirar. Sabia que viria chumbo grosso dessa vez. Acho que acabei o magoando um pouco com minhas palavras. Me pus de pé, e já me preparava para o próximo ataque do linguarudo. Mas dessa vez iria contra atacar.

Jared jogou sua língua em direção as armas em uma rapidez impressionante. Em fração de segundos, uma tonelada de balas vinha em minha direção cortando o céu como bolas de fogo. Nessa batalha não vou esperar muito para apelar, se não estou frito. Acionei meu olho ciclope e mais rápido que uma raio consegui me desviar de todo chumbo quente que zunia passando a centímetros de meus ouvidos.

Quando tomei uma posição segura, saquei minha primeira pistola e atirei uma saraivada de balas contra Jared. O linguarudo rápido como um coelho sai do local fazendo meus tiros varrer o chão. Jared continuava atirando com uma destreza e fúria impressionante usando sua língua. Eu escapava como podia das balas, e quando dava uma brecha, atirava com destino certo a cabeça do linguarudo. Só que o desgraçado era rápido, e conseguia desviar quase no último segundo de meus tiros.

Mais uma vez caímos frente a frente. Ambos pronto para atacar. Jared me observava como uma presa que já estava sangrando. Eu estudava uma maneira de meter bala no rabo do língua de sapo, já que essa batalha seria somente na bala.

Texto de: Mauricio Prestes

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