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CAPITULO QUATORZE

O velhote chegou ao balcão onde havia um sujeito de mais de dois metros de altura com quatro braços, e uma máscara de carrasco que escondia seu rosto. Ele atendia a todos com uma habilidade extrema, mais parecia um polvo rodeado de canecas de cerveja. Ao seu lado um sujeito baixinho que quase não alcançava no balcão mais era rápido como um flecha, e usava um gorro ridículo de Papai Noel.

– Uma cerveja para mim e outra para meu amigo aqui. – Falei para o sujeito de quatro braços e já sentando e me escorando no balcão.

O sujeito apenas olhou para mim de cima para baixo como eu fosse uma pulga e virou a costas.

– Qual é o problema desse cara velhote? Preciso pegar senha para ser atendido nessa espelunca.

– Calma ai pistoleiro. Deixa que eu faço isso. – Falou o velhote acionando os foguetes de sua cadeira e ficando quase na mesma altura do sujeito de quatro braços.

– E ae o sujeitinho gigante que mais parece uma aranha. Bota uma cerveja para mim e outra para meu amigo pistoleiro aqui. – Falou o velhote encarando o sujeito gigante. O mesmo virou se de súbito e o encarou como se fosse quebra lo ao meio.

– Calma ai velhote. O gentil senhor de quatro braços já vai nos servir. – Falei eu tirando meu chapéu e fazendo uma saudação para o gigante e o sujeito baixinho que agora nos encarava também.

O sujeito gigante de quatro braços quase colou seu rosto no velhote, que da mesma forma exprimia seus olhos e fazia um bico. Por um instante achei que iriam se beijar tamanho a intensidade de seus olhares. Já me preparava para mais um round, quando o baixinho botou duas enormes canecas de cerveja em cima do balcão e escorregou até onde estava o velhote e o sujeito de quatro braços que se encaravam ainda.

– Bom. Nossa cerveja está na mão velhote, vamos beber agora. – Falei pegando as canecas e afastando ele do enorme sujeito de quatro braços que mais parecia um ogro.

– Isso ai. Sirvam nossa cerveja, se não quebramos essa pocilga inteira. – Falou velhote pegando uma caneca e saindo de mansinho em sua cadeira de rodas espacial e ainda encarando o gigante de quatro braços.

– Calma ai velhote vamos beber… Relaxa…Deixa esses bons homens trabalharem.

Eu já sabia que naquele ponto a confusão era certa. O velhote já havia acionado a bomba, só faltava aguardar a hora de sua explosão.

Tomamos aquela caneca de cerveja na velocidade da luz. Em poucos minutos já havíamos tomado umas cinco canecas de cerveja. O velhote já cantava e dançava em sua cadeira de rodas. Eu olhava para o balcão e o sujeito de quatro braços havia se transformado em dois. Puta que pariu, dois sujeitos aranha. Que cerveja da porra essa. Isso merece um belo desenho. Saquei meu caderno e minha caneta, desenhei duas aranhas gigantes, em uma delas o velhote montado com sua cadeira de rodas do espaço, e na outra o sujeitinho baixinho do balcão com seu gorro ridículo de Papai Noel. As duas aranhas com a cara do sujeito de quatro braços. Puta massa, que desenho foda. Esse sim merece um belo quadro.

Quando terminei meu desenho, o velhote mais bêbado que um gamba, quase arrancando a roupa do corpo, me joga uma caneca de cerveja bem na cabeça do sujeito gigante de quatro braços que estava de costas no balcão. A caneca explodiu em seu crânio e não fez nem cócegas.

Por um instante todo bar silenciou novamente. Apenas o velhote ainda berrava com outra caneca de cerveja na mão:

“Seus bastardos, vamos comer suas mulheres”

Agora fodeu…Pensei comigo mesmo. O velhote perdeu toda noção.

– Calma ai velhote. Acho que é hora de pagarmos e irmos embora. Você já bebeu demais. – Falei para ele pegando em seu braço e tentando acalma lo.

– Que calma o que pistoleiro. Me bota mais uma cerveja ai seu aleijado de quatro braços.

Falou o velhote batendo a caneca em cima do balcão.

Por alguns segundos pensei que o sujeito de quatro braços iria realmente servir mais uma caneca de cerveja para o velhote. Mas foi engano meu. O enorme ogro cerrou os punhos com tamanha força que senti seus dedos estralarem. De súbito ele partiu para cima do velhote mais feroz que um leão quando vai atacar sua caça. Para sorte do velhote meu raciocínio é tão rápido como um raio, em poucos segundos consegui pular entre o sujeito de quatro braços e velhote e acabei tomando uma porrada tão forte do gigante que fui parar no fundo do bar grudado na parede.

Quando dei por si, cuspi quatro dentes no chão. Se o soco pega o velhote, certamente dividiria ele em dois.

Quando levantei, o sujeito gigante de quatro braços me olhava fixamente. O velhote já se encontrava em posição de combate e gritando:

– Vamos lá pistoleiro…Deixa de ser mole…Levanta daí e vamos acabar com eles.

– Ok velhote…Você pega o anão do balcão e deixa o gigante para mim. Ele arrancou me quatro dentes. Eu vou quebrar seus quatro braços. Vamos lá banda, som na caixa que o show está apenas começando.

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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