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CAPITULO TREZE

Depois de algumas horas de sono, acordo com o barulho de uma chaleira no fogo. Era o velhote que se preparava para passar café em um bule enferrujado.

– Bom dia! “Sombra Preta.” Dormiu bem? Sonhou com os anjinhos? – Falou o velhote emendando uma baita gargalhada.

– Parece que você dormiu muito bem né velhote. – Falei eu levantando do chão e arrumando o chapéu em minha cabeça

– Fazia tempo que não dormia tão bem pistoleiro. Aqueles demônios estavam me matando. De certa forma agradeço ao pistoleiro e seu companheiro em terem me livrado deles. – Falou o velhote me passando uma xícara de café.

– Não precisa agradecer velho. O “Sombra Negra, “pode até ser uma mercenário ou caçador de recompensas como me chamam, mas nunca deixei uma viva alma desamparada quando precisou de mim. – Falei eu tirando meu chapéu e fazendo uma reverência com minha cabeça.

O velhote mais uma vez caiu na gargalhada e disse:

– Você realmente é muito engraçado “Sombra Preta.” De todos os pistoleiros que passaram por aqui, você sem dúvida é o mais esquisito. Parece um ator de cabaré.

– Falou o velhote desatando a rir novamente.

– Obrigado. Espero que isso seja um elogio velho. – Falei tomando café e mordendo um pão velho que estava em cima da mesa.

– E agora pistoleiro. Qual é o plano? – Me perguntou o velhote me olhando sério.

– Agora velhote…Agora vou pegar essa réplica da caixa calabouço, e vou para cidade aguardar os cavalheiros me encontrarem. Tenho certeza que viram a minha procura, e assim que me acharem, saberei o rumo que tomou Hogar.

– Os cavalheiros vão fazer picadinho de você pistoleiro. Eles são sete e você apenas um. E pelo que sei são muito poderosos, talvez até mais que você pistoleiro.

– Talvez sim. Mas o que seria da vida se não corrêssemos alguns riscos. Pois bem velhote, agradeço pelo café e pela estadia, devo partir agora, já perdi muito tempo. E demais em mais, sem cavalo vou demorar quase um dia para chegar na cidade.

– Falei para velhote levantando me dá mesa onde estava sentado tomando café e já ajeitando meus equipamentos.

O velhote saiu por um minuto e logo voltou vestido com um enorme poncho e um chapéu na cabeça.

– Eu vou junto com você para cidade pistoleiro. – Falou o velhote me encarando sério.

– De maneira alguma. Você já perdeu muita energia com os demônios. Teu negócio agora e assistir novela e toma chá igual as tia velhas fazem. Chega de ação para você velhote.

O velhote sem falar uma palavra foi mansamente saindo para fora do rancho.

– Hein! Velhote! Onde você pensa que vai?

Ele olhou para mim, apertou um botão em sua cadeira de rodas, e incrivelmente surgiram duas turbinas na parte traseira da cadeira. Que velho filho da puta pensei eu.

– Eae o “Sombra Preta.” Eu chego em meia hora na cidade. Prefere ir caminhando ainda?

– Puta que pariu. Você é um velhote filho da mãe mesmo hein. Olha até minha tia Corina iria se impressionar com isso. – Falei eu subindo na parte traseira da cadeira de rodas onde havia surgido uma pequena rampa onde conseguiria viajar em pé.

– Corina é sua tia. Não me é estranho esse nome. Uma vez tive um pequeno caso com uma bela mulher chamada Corina. Ela tinha as coxas quentes e sabia mexer.

– Porra velho filho da puta. Vai me dizer que traçou minha tia. – Falei eu dando um tapa na cabeça do velho.

– Calma pistoleiro. Isso já é uma outra história. Agora aperte o cinto que a “Cadeira Furacão,” vai pega a estrada. – Falou o velhote dando uma gargalhada.

– Está certo. Quando acaba isso tudo, conversamos sobre minha tia.

A porcaria da cadeira de rodas praticamente levantava voo devido a velocidade que atingia. Era melhor que qualquer cavalo ou motocicleta que pudesse ter. Em pouco tempo já avistávamos a cidade.

– E agora pistoleiro, estamos quase chegando. O que faremos. – Falou o velhote fazendo a curva final da estrada antes de chegar na cidade.

– Vamos direto no Saloon. Certamente teremos informações lá e encrenca também.

Na entrada da cidade, havia uma placa bem grande com a seguinte escrita:

“Forasteiro filhos da mãe, não são bem vindos aqui.”

– Gostei da receptividade desse local.

– Acho que você vai gostar mais quando te meterem uma bala na bunda pistoleiro.

– Falou o velhote gargalhando.

A cidade realmente não era nada amistosa. Parecíamos seres extra terrestres pelo modo que os habitantes nos observavam.

– Direto para o Saloon velhote. Não quero perder muito tempo rodando aqui. Certo que teremos confusão.

– Está certo pistoleiro, vamos lá.

Depois de algumas voltas na cidade, chegamos finalmente no Saloon. E era um belo Saloon diga se de passagem. Dois andares. Uma enorme placa luminosa indicando algum show de uma puta rapariga gostosa. Até guarda cavalos tinha.

– Puta que pariu. Que lugar fodastico é esse. Além de colhermos informações que preciso é claro, vamos tomar uma. Eu pago velho – Falei eu desembarcando da cadeira furacão e lhe dando um pequeno soco no braço.

– Tenho certeza que isso não vai acabar bem. – Falou o velhote dando um sorriso e acionando os foguetes da cadeira para subir a rampa de acesso ao bar.

Adentramos no bar. Por um segundo a banda que tocava um rock pauleira parou. Todas as atenções do salão vieram para mim e o velhote. Tirei meu chapéu fiz um breve aceno com a cabeça. Comecei a andar em direção ao balcão. A banda voltou a tocar, as pessoas voltaram a beber, mas as atenções ainda estavam todas em nós.

– Acho que não gostaram muita da gente velhote. – Falei eu com o canto da boca enquanto caminhava em direção ao bar

– Não se preocupe pistoleiro, eles não gostam de ninguém mesmo. Vamos beber e depois vamos quebrar tudo essa espelunca. – Falou velho me tomando a frente em direção ao bar.

Puta que pariu! Eu sozinho já sou locasso. Imagina com esse velhote com trago na mente. Acho que o bicho vai pegar, e vai ser divertido.

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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