Link de todos os capítulos já postados – pulpstories.com.br/category/sombra-negra

CAPITULO ONZE

– Calma ai velhote! Não vim roubar nada não! Ao contrário, se não fosse por mim e aquele anjo bolo fofo ali, você estaria na terra dos pés juntos.

Falei para velhote apontando para Geisebel que havia conjurado uma bela refeição na mesa do rancho.

– Não acredito em vocês, vieram roubar meus feijões seus miseráveis! Vou acabar com os dois agora!

– Relaxa velhote… Vamos comer agora, que está todo mundo com fome, depois achamos seus tais feijões. – Disse Geisebel já metendo um hambúrguer na boca.

– De onde veio tanta comida? É realmente eu estou com muita fome mesmo… Acho que comemos, e depois meto bala em vocês seus miseráveis ladrões de feijões! – Disse o velhote abaixando a arma e coçando a cabeça.

– Está certo então! Combinado. Comemos ai depois resolvemos isso… – Falei para o velhote estendendo a mão para o mesmo.

Ele titubeou um pouco, mas logo apertou minha mão falando:

– Sou Hermet Valisk. E qual seu nome ladrão de feijões?

– Sou Sombra Negra. Ao seu dispor. E o gordo balofo ali, se chama Geisebel.

– Que raio de nome é esse? Sombra Negra? – O velhote começou a gargalhar alto.

– Que nome idiota mesmo né? – Falou Geisebel acompanhando o velhote na gargalhada.

– Há! Há! Há! Muito engraçado seu velho decrepito e seu anjo filhote de baleia. – disse me dirigindo a mesa para comer algo.

– Vamos lá senhor Hermet. Venha até a mesa e sirva se! – disse Geisebel.

O Velhote acionou um mecanismo em sua cadeira de rodas, em poucos segundos estava na mesa. Eu e Geisebel nos olhamos impressionado com a engenhosidade daquela cadeira de rodas.

– Espero que não esteja envenenada essa comida toda. – Disse o velhote com um ar ranzinza.

– Não se preocupe senhor Hermet. Estamos comendo também. – Disse  tentando acalmar o velhote.

O velhote se atracou nos hambúrgueres, mais feroz que porco nas batatas. Parecia que não comia há anos.

– Senhor Hermet, posso lhe fazer uma pergunta? – Falei eu em um tom educado.

O velhote só meu olhou e balançou a cabeça em sinal de positivo.

– Porque um demônio como Iris, iria querer manter o senhor preso nesse rancho? Qual o interesse dele no senhor?

– Quer dizer que não são ladrões de feijões? – Disse o velhote largando um hambúrguer que já estava quase levando a boca.

– Não senhor Hermet. Por melhor que sejam seus feijões, não viemos atrás deles.

– Tudo bem então. Não tenho feijões há anos mesmo. – Falou o velhote num tom melancólico.

No mesmo instante, olhei para Geisebel e balancei a cabeça. Geisebel entendeu o recado e conjurou uma enorme panela de feijão em cima da mesa.

– Você realmente é um anjo. E você o que é? – Apontou o velhote para mim

– Sou um pistoleiro em busca da cabeça de um ditador. Tenho uma missão a cumprir, não deveria nem estar aqui para começo de conversa. Mas sou o, “Grande Sombra Negra,” e odeio injustiças. Nunca deixaria um demônio maldito se aproveitar de um pobre velho indefeso. – Falei eu em tom de discurso.

No mesmo instante, o velhote e Geisebel se olharam e começaram a gargalhar novamente.

– Está bem chega de palhaçada. Vai nos falar o motivo do demônio Isis querer seu coro ou não? – Disse olhando fixamente para o velhote.

– Ok. Vou contar para os senhores então… Meu nome é Hermet Valisk Neto. Meu avô foi o maior armeiro de toda essa região. Ele criou e adaptou milhares de armas para pistoleiros como você. Armas poderosas mesmo. Inclusive para os Cavaleiros do Apocalipse. De certa forma meu avô passou para meu pai que me passou para mim o oficio de armeiro mágico dos melhores pistoleiros do universo…

– Eu sabia que seu nome não me era estranho. Você e neto de Hermet Valisk, que fabricou as armas para os Cavaleiros do Apocalipse…

– Quem são os Cavaleiros do Apocalipse Sombra? – Perguntou Geisebel com ar de curiosidade.

– Você é burro mesmo anjo gordo. Como que você não sabe quem são os Cavaleiros do Apocalipse?

– Eu não curto muito esse papo de Apocalipse, Cavalheiros e tal.

– Eu sei que teu negócio e comer e engordar igual um porco né anjo balofo.

– Pegue leve Sombra. Só não estou atualizado.

– Está bem. Resumindo os Cavalheiros do Apocalipse, são um grupo formado pelos sete pistoleiros mais temidos do universo. No início trabalhavam apenas em missões especiais para o Pai Maior e para o Capeta. Capturavam anjos rebeldes igual você e demônios que escapavam do inferno. Hoje é só mais um grupo de mercenários que trabalham para quem lhes pagar mais.

– Como eles são os pistoleiros mais temidos do universo, se você e o maior de todos Sombra? – Perguntou Geisebel com ar de dúvida.

– Eu já fui um deles há muito tempo atrás Geisebel. Mas isso já é outra história. O que importa e sabermos do velhote o real motivo de Iris estar fazendo banca aqui.

O velhote no meio daquela conversa toda meteu mais um hambúrguer na boca e começou a falar:

– Eles estiveram aqui há algumas semanas… Os Cavaleiros do Apocalipse.

Eu e Geisebel nos olhamos espantados.

– O que eles vieram fazer aqui velhote?

– Eles trouxeram algo para eu concertar para eles. – Respondeu o velhote cuspindo hambúrgueres.

– O que exatamente eles te trouxeram para concertar?

– Vou lhes mostrar.

O velhote acionou um botão de sua cadeira de rodas, e de lá surgiu um compartimento secreto. O compartimento se abriu, e dele saiu uma pequena caixa dourada e vermelha. Dela irradiava uma luz muito forte. Os símbolos de armas que continham nela reluziam aos nossos olhos.

– Então era disso que o demônio estava atrás? Agora eu entendi. – Falei eu olhando maravilhado para aquela caixa.

– Me desculpe Sombra. Você vai me chamar de burro e ignorante, mais que diabos de caixa estranha é essa?

– Eles a chamam de o Calabouço. É a caixa onde os Cavalheiros do Apocalipse prendem as criaturas que capturam. Demônios, anjos caídos, criaturas do inferno e até pistoleiros poderosos. Nada consegue escapar dessa caixa. Essa deve possuir milhares de almas perdidas nela.

– Isso mesmo meu rapaz. Na verdade existem duas caixas dessas. Uma que meu avô fez que está com eles. E uma que meu pai fez que é essa aqui. Eles desconfiam que alguém muito poderoso conseguiu escapar dessa caixa. Por esse motivo trouxeram ela para eu dar uma olhada e consertar se necessário. – Falou o velhote com a caixa na mão.

– Por lógica o demônio Iris queria essa caixa para libertar alguém. Iris é um demônio do sub mundo, que são os demônios que conseguem escapar do inferno. O capeta deveria estar querendo ele de volta. Os próprios Cavalheiros do Apocalipse deviam estar no seu encalço. Talvez fosse até uma armadilha para ele trazer a caixa até esse local para você conserta-la velhote.

– Mas Sombra, me fala uma coisa. O que ganham esses Cavalheiros do Apocalipse em prender demônios nessa caixa? – Perguntou Geisebel.

– Como havia falado anteriormente Geisebel. Nos tempos áureos dos Cavalheiros do Apocalipse, eles mandavam cada criatura para o seu lugar. Demônios para o inferno e anjos caídos para onde o Pai Maior determinava. Hoje em dia eles querem poder e dinheiro somente. Quando eles capturam alguma criatura, eles possuem o domínio sobre ela. Eles podem simplesmente usa-las para qualquer fim que desejarem. O problema disso é que eles podem usar a criatura somente uma vez em uma batalha, depois ela fica livre e solta pelo universo. Nenhma criatura consegue escapar da caixa por mais poderosa que seja. Somente um Cavalheiro do Apocalipse consegue abrir a caixa. Trazer a caixa aqui, foi somente para justificar o comércio que eles estão realizando com as criaturas da caixa.

– Tá, mais me explica uma coisa. Porque o tal demônio Iris queria a caixa se ele não poderia abrir? – Perguntou Geisebel.

– Talvez devido essa grande marginalização dos Cavalheiros do Apocalipse. Os demônios acharam um jeito de abrir a caixa. Os demônios são muito espertos, e se abrissem a caixa gerariam o caos no universo. Mas por outro lado, se os cavalheiros quisessem que a caixa fosse aberta por algum motivo obscuro. Como eles estão corrompidos, fariam qualquer coisa por poder e dinheiro. Até mesmo negociar com um demônio…

– Essa caixa não apresenta nenhum tipo de problema meu rapaz. Se alguém escapou dela, foi por puro consentimento. Iris sabia que a única forma de abrir a caixa era por intermédio de um cavalheiro ou se eu mesmo abrisse para ele. Nós somos os únicos capazes de abrir a caixa além dos Cavalheiros do Apocalipse. Ele não poderia me matar, não teria autorização e nem poder para quebrar as barreiras de equilíbrio. Mas poderia me enlouquecer, até que eu abrir a caixa e me suicidar. – Falou o velhote com uma voz serena.

– Agora estou entendendo Sombra. Barreiras de equilíbrios são aquelas criadas para não permitir que demônios e criaturas ataquem os humanos deliberadamente. – Falou Geisebel.

– Exato Geisebel. Mas há muito tempo essas barreiras estão sendo quebradas. Às vezes penso que o Pai Maior já desistiu desse universo…

 

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

CURTA NOSSA PÁGINA – facebook.com/pulpstoriesbr