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CAPITULO DEZ

O ritual dos quatro pontos, era um rito antigo que aprendi com tia Corina. Reza a lenda que o próprio Capiroto ensinou a mesma em uma de suas batalhas. É um ritual tão poderoso que nem mesmo os anjos como Geisebel conseguem fazer. Até mesmo o próprio capeta tem que ter autorização do Pai Maior para levar seus demônios para o inferno.

O ritual estava pronto, pelo jeito o Pai Maior havia autorizado a vinda de alguém buscar o demônio engomadinho. Quatro pontos de fogo se acendiam nas extremidades do que restara do demônio. Como em um passe de mágica o chão se abriu, fazendo nele um enorme buraco negro. Quem será que vem buscar a carcaça hoje? Eles sempre mudam…

De súbito, pulou do buraco negro, um enorme touro preto com chifres enrolados e olhos roxos. Era o Touro Ceifador do Inferno em pessoa ou demônio, sei lá. Ele andou alguns passos, e ficou a centímetros de mim. Deu uma bufada e disse:

– É você que vai para o inferno comigo Sombra?

– Não, acho que hoje não. Até porque tenho que resolver alguns assuntos pendentes ainda. Mas não se preocupe, teremos nosso encontro em breve.

O enorme Touro, deu mais uma bufada próximo de meu rosto, seus enormes olhos roxos queriam minha alma com toda certeza, eu poderia prever isso fácil. Antes de voltar para o inferno, ele disse:

– Vou te aguardar então Sombra. Espero que não demore muito…

– Relaxa chifrudo… Logo, logo vou montar em você no inferno.

O grande Touro Ceifador, juntou a carcaça do demônio engomadinho e pulou no enorme buraco negro. Por alguns segundos o fogo se intensificou causando uma enorme explosão. Acabei sendo jogado a alguns metros de onde estava. Porque esses filhos da putas fazem isso? Sempre acaba sobrando uma costela quebrada nessa brincadeira.

Quando voltei a mim, estava sentado em um canto do rancho. Geisebel com sua enorme cara de bolacha, vinha em minha direção sorrindo

– Você conseguiu Sombra. Acabou com o demônio anãozinho, eu sabia que iria conseguir. Você realmente é o maior! Sombra porque não responde? Você está bem?

Falou Geisebel pegando em meus ombros e me chacoalhando.

– Antes de mais nada Geisebel. Vai olhar o velhote. Creio que esteja machucado também…

– Sim Sombra. Já estou indo.

O velho se encontrava caído sobre uma cadeira de rodas. Estava desacordado. Meu receio, é que tivéssemos chegado tarde demais.

– Não se preocupe Sombra. Ele só está dormindo. É o efeito do cansaço pela dominação dos demônios. Deve estar sem uma boa noite de sono a dias. Acordara a qualquer momento.

– Ok. Venha aqui então anjo gordo, e conserte meus estragos.

– Puta que pariu Sombra, você está estragado hein. Fratura exposta na perna, uma meia dúzia de costelas quebradas e sua cara está pior que puta de cabaré amanhecida.

– Cale a boca seu projeto de anjo do capeta. Só concerta logo.

– Está bem Sombra, não precisa ser ignorante.

Em poucos segundos Geisebel com sua magia poderosa concertou todos os meus ossos quebrados. Geisebel podia ser um idiota, mas era muito competente em curar ossos e fechar feridas.

– Está pronto. Sombra Negra novinho em folha. A única coisa que não consigo é tirar a dor de imediato, você sabe disso né?

– Ok. Sei que vai levar alguns dias ainda para me recobrar totalmente. Sem problemas, antes de partir preciso falar com o velhote e entender o real motivo dos demônios estarem tentando dominar esse lugar. Agora o anjo balofo, faz algo para a gente comer, estou morrendo de fome. Essa batalha acabou comigo…

– Sem problemas Sombra. Deixa comigo que vou providenciar Bacon com Ovos. Essa batalha também me deu uma fome…

– Você sempre está com fome Geisebel. Por isso parece uma baleia ao invés de um anjo.

– Pô! Sombra. Não precisa agredir não…

– Vai lá anjo gordo. Providencia comida, que vou tentar acordar o velhote.

– Ok Sombra. Vou botar uma mesa para nos.

Com alguma dificuldade, levantei do chão. Embora Geisebel já tivesse me concertado. A dor sempre permanecia por alguns dias, isso era inevitável. Resolvi me aproximar do velhote, que se encontrava caído sobre uma cadeira de rodas

Vagarosamente fui chegando perto. Quando estava bem próximo, abaixei até o velho, e quando fui botar a mão em seu pescoço, o velhote deu um salto na cadeira de rodas, puxou sua calibre doze, apontou bem na minha cara e disse:

– Te peguei seu ladrão miserável. Veio roubar meus feijões não é? Vou te mandar para o inferno agora!

Puta que pariu. Vou ter que botar esse velhote para dormir mais um pouco…

 

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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