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CAPITULO IV

E, passados alguns dias, o rapaz desonrado já tinha um plano para ter pela força aquilo que com a lábia não tinha conquistado. Perguntou aqui e ali sobre um tropeiro de nome Francisco, que estivesse para regressar das bandas que o pai de Eulália lhe dissera, e descobriu por que estrada voltaria o moço. Ao mesmo tempo, mentiu para o pai, e lhe disse que Eulália aceitara seu pedido, e passou a usar uma aliança na mão direita, dizendo ao pai que o casamento se realizaria em breve. Augusto concordou, satisfeito:
-Conheço a filha deste homem, e esta moça é bem capaz de te endireitar, meu filho. Pena que nossas terras sejam tão longe e que eu não possa ir agradecer aos dois pessoalmente.
E Augustinho continuou com seu plano. Foi até o povoado mais perto, nos bolichos que frequentava, se emborrachava e gastava dinheiro, e fez acordo e tramóia com um bando dos piores que existia nesta região, acostumados a roubar gado, a atacar terra alheia e a se meter em brigas que davam em morte. E, numa manhã, mandou preparar a festa, que seria na fazenda, onde já tinha sido construído este sobrado, mandando chamar o padre e convidados. Disse que partiria a cavalo e voltaria dentro de três dias com a noiva e o seu pai.
No caminho, o marca-diabo se encontrou com os bandidos pra quem dava dinheiro e, num bando de vinte, foram até a fazenda do pai de Eulália. Chegaram lá numa noite clara, e Augustinho apeou solito diante da casa. Chamou os dois.
-É o seguinte, Eulália – disse ele, à frente do bando – tu vais te casar comigo sim, já estou com tudo esperando. Se disser não, mato teu pai aqui na tua frente mesmo!
-Guri de merda! – respondeu o velho – Frouxo sem coragem, se fosse só eu e tu, cada um com uma adaga na mão, te capava e te colocava daqui correndo de relho!
-Mas não é. E aí, Eulália, vais me dizer o quê?
-Não dê conversa, filha – disse o velho – ele que me mate. Tua felicidade é mais importante, e eu prefiro morrer a te ver casada com este traste!
Augustinho soltou uma gargalhada.
-E o que tu acha que eu vou fazer com ela depois de te sangrar, velho porco?! Acha que vou deixar ela intocada prum tropeiro fedorento?! Se não for numa cama de casal, vai ser aqui mesmo, na frente da casa, e não vou ser só eu!
Os vinte deram gargalhadas. O velho urrou de ódio e tentou avançar. Mas a filha segurou ele e disse:
-Não, pai, não vou deixar te machucarem. Eu vou com Augustinho, e tu ficas aqui.
E, baixinho, só para o pai ouvir, disse:
-Não te preocupes. Francisco chega esta noite, avisa ele e diz pra vir atrás de mim.
O velho ficou, lívido de raiva. Eulália, controlando o nojo, montou no cavalo de Augustinho e partiram.
Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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