Lembro de ter olhado fundo naqueles olhos

antes de, fumar um Marlboro na janela

a árvore desfolhada, apenas pela metade

o ninho de cigarros,

uma zona morta envolta a grama viva

o desespero dos pássaros fugindo da chuva

deixei o vento entrar e esfriar meu peito

terminei o cigarro

e encontrei o sol

que se escondia entre suas pernas…

E perto da noite,

nos atiramos no vinho

e conversamos só sobre ela

mas a conversa não durou muito

nenhum de nós fazia questão

e logo o chão da sala servia

a noite esvaziava, como as garrafas

e nós suávamos à alma

poderíamos matar um ao outro

simplesmente, fodendo

acreditávamos nisso

mas a morte não resolveria nada mais,

que a vida…

 As horas se encurtaram

desmaiamos um sobre o outro

o cansaço, nos impediu de sonhar…

No outro dia,

ainda atordoado pelo vinho,

vesti minha camisa

sem  a maioria dos botões

com dificuldades, vesti também as calças

sem perceber

acendi um cigarro

sai dali,

sem conseguir entender ou sentir

e pelas ruas, distribui passos

à procura de um novo sol…

Poema de: Vinícius Prestes
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