Ao meu lado, só os vultos

Aos meus pés a luz, o vento entra

Onde foi parar o calor?

Há dias não me aquece,

adormeço munido de uísque

Fedendo a cigarro e transpirando tristeza

As vezes quando não estou só,

Me sinto só

E

Nada mais parece poder preencher o vazio

Existencial e sentimental

Que se toma de todo o resto

do corpo e da alma

Cada palmo de pele e osso,

Cada pensamento,

Os dias passam, os anos passam,

Sinto minha alma sangrar

Sinto o gosto do sangue

Sinto o cheiro da morte,

O vazio se estende…

Empilho garrafas, latas, cigarros, sentimentos, pessoas

Tudo que posso, para poder sentir menos

O vazio