Meus olhos quase não conseguem identificar as letras

Tenho que confiar em minhas mãos

O álcool ainda vai me matar um dia

Mas hoje ele só me inspirou

A escrever e a desmaiar

O abajur queimou, a luz é fraca

Tudo esta confuso, gira, se desfaz

Eu tento sorrir, talvez eu esteja sorrindo

Talvez eu consiga terminar

Dar sentido a esse poema, o último da noite

Usar as palavras certas, que já não sei mais quais são

É tarde, eu sei disso, está escuro lá fora,

Só escuto os solos de guitarra,

Um fio de uísque na garrafa,

eu poderia beber mais

Não é o suficiente eu penso comigo mesmo,

Tento pegar uma das 4 garrafas que enxergo,

Falho, vou ao chão…

Vejo rostos nas manchas do chão de madeira,

pareidolia é o nome disso

Não sei como sei, mas sei, seguro no pé da mesa

Olho para cima e a garrafa quadrada de uísque vem ao encontro

do meu rosto

nocaute, novamente…

Eu disse que o álcool me mataria algum dia.