Morar em ti é como
navegar em um mar sem
saber aonde irei deságuar.
Tenho teus olhos castanhos
em meus olhos, tenho em
minha respiração, tua
respiração.

Como se fosse ontem.

Moro em ti como o último
livro que li, como a última
gota de chuva que fixou em
meu rosto. Moro em ti, na
tua fala, no teu silêncio e na
televisão que ligo e desligo
procurando a novela que
lembra a cena do dia que te
encontrei. Moro em ti, tenho
teu nome em cada esquina,
em cada verso e no meu
sorriso que não disfarço ao
esbarrar contigo. No café
que tomo antes de dormir,
na vontade de viver um
desses amores de verdade,
na lentidão com qual
disfaço meu coque ao
anoitecer.

É o entrelaçar de teus dedos nos meus.

Me tornei uma poeira
levada pelo vento que por
desventura procura um
mesmo objeto, um mesmo
peito.
Na língua dos leigos dizem
que é amor, na minha,
pedaço de luz que me
constrói.

Texto de: Emely Polli
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