Desde pequeno, sempre fui treinado pelo meu próprio ego a guardar tristezas.
Aprendi, de alguma maneira, que se partilha o riso, apenas, e que se esconde a mágoa, constantemente.
Por isso, levo esse sorriso no rosto, e essa dificuldade de falar que dói; talvez seja por esse motivo, que quando triste, brota em mim essa vontade involuntária de escrever.
Quando verticalmente mergulho fundo nesse sentimento que me é tão caro, que me é tão inexprimivelmente “doloroso”, sinto meu corpo inteiro falhar, enrijecer; ele se contorce, espreme, retorce os vocábulos, e o que em mim corroe, nas pessoas constrói, eis um prazer.
De alguma forma, falar da dor com a voz, nunca me foi possível; eu sempre transformei o lamento em boniteza, sempre engoli as experiências pedregosas, e as digeri por tempos, com esse meu estranho estômago imaginário, que é capaz de suavizar o infinitamente amargo; e de adulterar a sua consistência.
Engoli, por anos e anos, péssimas experiências em diversas fases da minha vida, e se perpétua hoje na sociedade, dura… Pela nítida ideia de “Ser diferente”, muito diferente…!
Dificuldades que carrego até hoje pra dizer coisas íntimas, coisas minhas… Enfim, cada ser é um ser e também as têm; há aqueles que cantam, já outros que escrevem o que aqueles cantam, e terceiros que produzem o que outros escrevem, e aqueles cantam (…).
Isso são diferenças, e o resultado da inquietação de cada um, que guarda para si o negativo, e compartilha o que há de melhor dentro da alma.
Hoje, meu mundo é uma “ileitura”, a minha voz é soprosa; tenho uma fenda congênita na corda vocal, o que me impede de botar pra fora em grito… penso, se libertasse minha garganta, eu morreria.