Eu escuto a chuva.

E olho suas pernas.

Você olha para mim,

com seus olhos negros e parece enxergar

algo em mim, que ninguém mais vê.

A fumaça dos nossos cigarros esta no ar,

e beber uísque já é tão natural quanto respirar.

Sinto-me idiota, só de cueca

sentado e batendo nas teclas.

Enquanto você me espera,

me olha como se eu soubesse o que estou fazendo,

e eu sinto que sei, mas não tenho certeza.

Ainda temos uísque,

ainda temos algumas horas,

ainda temos a nós mesmos, antes do fim.

Eu termino o poema

e me jogo em seus braços,

seu corpo me esquenta e me excita,

seus beijos me tiram da realidade,

e sua alma preenche o vazio que há dentro de mim.

O tempo corre enquanto eu a sinto em todos os sentidos,

de todas as formas,

seus longos cabelos ruivos espalham-se pela cama,

que nunca esteve tão cheia de amor.

Eu poderia amar você por uma vida.

Mas eu sei, que você sabe,

que não sou homem para uma vida.

Amanhã, quando acordar,

eu estarei quilômetros ao sul,

escrevendo sobre você

escutando a chuva.