O bafo de Porto Alegre queima meu quarto de cortinas amarelas
de sujeira
no fim do dia, o céu cessou, sua mijadeira de cerveja
eu ganhei de mais uma garrafa de vinho, essa abri com a escova de dentes

Na rua passaram, ainda passam, todos os mendigos vivos
puxando suas carroças de lixo e aço
rangendo aflição em meio aos dentes que lhes sobraram
cerrando os lábios púrpuras de
vinho vagabundo
e
exaustão
a fome também lhes toma os olhos sem nenhuma
luz
e eles continuam a passar.
de lá pra cá, de cá pra lá…

Ainda não vivi o suficiente, para entender o que meus olhos tentam me contar, além da tristeza escancarada
mas há mais do que só isso, eles sabem
eu acredito…

Eu bebo da garrafa, e leio Nietzsche, a sexta corda em ré, do velho Baden
viaja e acerta como bala perdida, o vazio do meu crânio

Nunca houve tão pouca esperança, nesse mundo…

E eu só percebo isso, bêbado de vinho, depois da chuva e do tempo de sol

mal, muito mal…

As vezes você,deveria funcionar assim,
sóbrio…

Texto de: Vinícius Prestes Antipoeta )

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