As crianças brincam no pátio da escola, seus gritos e suas risadas,
acordam, alegram e naturalmente, torturam as manhãs do bairro

São 9 e 36 da manhã, a insônia é uma daquelas putas
que tenta enfiar o dedo no seu cu sem avisar

Daqui, eu vejo ao longe, a neblina, ela cobre parte da cidade,
flutua para mim, esconde a paisagem

As pessoas já começaram suas rotinas, martelando as tábuas e os
crânios,
porque ninguém mais anda de cabeça erguida?

Não consigo alcançar outros olhos com os meus,
apenas o topo de cabeças estupidas que não merecem uma escarrada de café e cigarro,

A fumaça dos dois, travam um duelo ou dueto, depende de como olhar,
o branco azulado,
o branco amarelado,
as cores mais mórbidas à se admirar

Tudo parece um sonho, o pior dos sonhos, a monótona realidade
Uma manhã morta, não há o que beber, não há nada,
Mas sempre foi assim…

O telefone toca:

‘’É você mesmo?’’

‘’Claro que não.’’

Desligo o telefone…

Procuro o vinho e a morte, não encontro nenhum dos dois,
Logo eu, ficar sem qualquer garrafa, de qualquer coisa, em plena quinta feira,

estou amolecendo aos poucos…

Corri no parque essa semana, não vi nada além de casais de maconheiros e pombos, e isso só tá nesse poema, porque um pombo cagou na minha perna

melhor na perna do que na cabeça,
o mesmo vale para um tiro…

Finalmente, consigo ver alguns olhos…
Sonhos em alguns, solidão em outros,
e nos raros, um pouco de beleza, aquela beleza inexplicável,
dos olhos perdidos,
olhos que raramente lhe retribuem o olhar,
Mas quando fazem, você perde o chão e se põe a flutuar,
fazendo da metáfora e do sonho uma efêmera realidade, que dura menos do que se pode, nunca esperar…

O cigarro chega ao filtro, o café esfria e a neblina me abraça…

Eu olho de súbito para o canto do quarto, sem motivo algum,
o diabo me fez ver meia garrafa de vodca no chão…

Era tudo que eu precisava há minutos atrás,
mas agora o sono já me basta…

Eu disse que estava amolecendo, eu disse…

 

Poema de: Vinícius Prestes – facebook.com/profile.php

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