As pernas me atraíam, eu tentava me convencer

As conversas, eu fingia ouvir

Fingia me interessar

Bebíamos uma cerveja verde fosforescente,

E eu achei uma merda,

Mas empilhei latas daquela cerveja

Os papos que não nos levavam a lugar nenhum

Me deprimiam aos poucos,

O cachorro da casa era mais interessante que tudo

E ele não parecia gostar de mim

Cervejas, cervejas verdes, cervejas ruins,

Noite falida, o sexo não salvaria,

Nem os deuses, nem as esperanças

de um dia menos melancólico

Cabelos pretos, longos, cervejas verdes, pernas desnudas,

Difícil elogia-las, o quarto estava escuro,

Mas serviam, eu não me importava,

Beijos sem motivo, sentido, sem nada,

Estou dentro dela, estou longe,

Algumas estocadas, um ofegar e um gemido

Rompem o silêncio do quarto sem luz, de almas mortas, cansadas, alcóolatras

Não gozei, cai pro lado, mais uma cerveja verde,

O banheiro não estava perto, eu vomito no chão

Me visto e saio, só vejo os olhos tristes à brilhar,

Só escuto um suspiro, e um riso frustrado, curto, desesperador…

4 quadras depois, percebo que ela roubou minha carteira,

Pelo menos deixou os cigarros, acendo um

Solto a fumaça para a lua, na esperança que

Ela queime, como eu queimo,

Na esperança que a escuridão da noite seja plena

E dure até eu estar pronto pra beber de novo.