As paredes eram finas, pouco menos finas que o papel, escutar a privacidade alheia
era inevitável…

– Nós deveríamos sair desse inferno às vezes…
– Escute… Eu só quero fumar a merda do meu cigarro.
– Você vai morrer sozinho…
– Nem as filhas da puta, das tartarugas marinhas, deixam de morrer, sozinhas…

Ela deslizou em suas sapatilhas de garçonete, por detrás da cadeira, e rachou-lhe o crânio com o ferro de passar roupa…

Sem dizer nenhuma palavra, ele tragou a fumaça do seu cigarro, pela última vez…

Alguns poetas diriam que a fumaça do cigarro saiu do buraco aberto em seu crânio
eu diria que isso aconteceu também…

Ela chorou a chuva da semana inteira
E gritou as trovoadas da tempestade do fim daquele mês

Foi presa, talvez esteja morta, mas duvido muito…

Eu entendo ela, seu marido era um bêbado desprezível, mas não sou muito, diferente dele,
talvez a poesia me de um pouco mais de alma…

Mas como eu disse ao policial
– o cara só queria fumar a merda do cigarro dele, a mulher é louca.

Poema de: Vinícius Prestes

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