Quatro e alguma coisa, da manhã
Levanto-me sem poder respirar
Abro a janela acendo um cigarro

Olho para as pernas desnudas
Brancas, longas,
em minha cama
Iluminadas pela luz da lua
Uma obra dos deuses
Ou de um artista de outro planeta

Cuspo a fumaça para o céu,
O vento não é frio, é fraco,
A fumaça para, densa no ar

Não há como pensar, não há como alinhar
pensamentos que te traem

Ansiedade
Entrevada na alma
Na vida,
Nos sonhos,
Em mim

Fumo-a, para não enlouquecer
fazendo do meu cinzeiro
a morte

Ela se acorda, se vira
Me olha, me diz,
– Tá tudo bem? – voz de sono
Respondo,
– Sim, pode dormir tranquila. – voz rouca

Fumo o cigarro, jogo-o, mirando o inferno
Fecho a janela, volto para a cama,
Abraço ela, sinto sua respiração, o calor do seu corpo
Me tranquiliza por hora…
Beijo suas costas, levemente, com meus lábios secos
Me acho em sua alma, me vejo em uma noite melhor,
Respiro fundo, uma única vez, fecho o olhos
Me concentro na escuridão das pálpebras
E durmo.

 

Poema de: Vinícius Prestes – https://www.facebook.com/profile.php?id=100010543054741