Caminho pesarosamente, há calos em meus pés, procuro um lugar para acampar.
Minha cabeça dói, imagens do dia anterior continuam vindo e indo, elas me atormentam.
Meu rum acaba. Avisto uma taberna, luzes fracas emanam dela, me aproximo.
Os cavalos, inquietos, relincham ao canto, um cheiro podre se impregna em minhas narinas.
Os borborinhos, conversas exaustadas de homens bêbados, não existe, apenas aquele singelo silêncio que antecede a morte da taberna.
Adentro.
Atrás do balcão um velho homem, com um expeça barba cinzenta, limpa preguiçosamente o balcão.
A taberna, vazia de um único cliente, está um caos, mesas e cadeiras, estilhaçadas, se encontram jogadas por toda parte. Sangue, seco, marca as paredes.
O velho, sem parecer se importar com o ambiente, se aproxima, estende uma de suas esqueléticas mãos, a mim, seus olhos, sem resquícios de vida, se cravam em mim.

– Seu pequeno saco de esterco apodrecido, volte agora mesmo de onde veio, AGORA!

Sua mão pende, seu corpo pende ao chão. Deparo-me sozinho. Às luzes se apagam, a porta, violentamente, se abre.
O vulto entra, sua rapidez não me espanta mais. Ele para, atrás de mim, sua voz agourenta sussurra:

– A hora do fim chegou, pequeno saco de esterco.

Saco a espada, a bainha tomba ao chão, e viro-me, a morte.

 

Poema de: Gabriel Dressler – facebook.com/gabrielkde.andrade

CURTA NOSSA PÁGINA – facebook.com/pulpstoriesbr