Achei que nunca mais iria voltar nesse lugar. Uma cafeteria chamada vinte quatro próximo à praça central, um reduto de marginais e pessoas sem caráter.

Odiava esse lugar, mas essa noite eu queria confusão. A última vez que havia aparecido por aqui, foram três mortos.

Fazia algum tempo que não matava se não fosse estritamente profissional. Jack Bailarino tinha um lema, ‘’derrubar qualquer um por dinheiro, mas  nunca, nenhum, por prazer.’’

Mas como já havia falado, essa noite era diferente. O velho Jack queria ir à farra, azar de quem atravessasse o meu caminho.

– Garçom. Me vê uma dose de uísque com uma xicara de café bem forte. Não quero uísque porcaria, quero o melhor seu cretino.

O garçom, um sujeito alto e forte, parecia um segurança de zona, olhou para mim e disse:

– Aqui não servimos porcaria seu velho escroto.

Pegou a garrafa de uísque, serviu uma dose botou o copo em minha frente, juntamente com uma xicara na qual servia o café com um bule nas nuvens, forçando ao máximo para derramar aquele café quente em mim.

– Mais alguma coisa velhote?

Ele falou tão perto de meu rosto que senti seu mau hálito de peixe podre.

– Sim, seu garçonzinho de merda. Eu quero que você bote uma música para mim na jukebox e dance como uma mulherzinha enquanto tomo essa merda de uísque com esse café que provavelmente foi passado na tanga de sua mãe.

– OLHA SEU VELHO FILHO DA PUTA! EVU VOU ARRANCAR SUA CABEÇA!

O garçom me pegou pelo colarinho e meteu a mão em minha cara, o soco foi tão forte que cai uns três metros longe do balcão. Acho que o filho da mãe quebrou meu queixo. Era exatamente isso que o velho Jack queria, um pouco de ação. Levantei rapidamente e disse para o garçom:

– É só isso que consegue seu merdinha?

O garçom agora parecia um enorme urso enfurecido, pegou um taco de beisebol e partiu para cima de mim como um touro indomável.

– Eu vou te partir em dois seu velhote.

Seu golpe veio como um trem, se pegar, me parte no meio, mas com um esquiva rápida o taco passa a centímetros do meu nariz, e mais rápido ainda saco meu canivete do bolso e cravo bem em cima da sua clavícula direita. O sujeito urra de dor e na mesma hora perde o movimento de se braço. ‘’Atinge em cheio algum ligamento importante, sempre gostei de anatomia, certamente me daria bem se fosse médico.’’ – pensei sem ter certeza de qualquer coisa que disse.

– Seu desgraçado, QUER ME MATAR com essa fac…

Antes mesmo do sujeito falar mais uma palavra, peguei meu soco inglês, e soquei tão forte sua cara que pude escutar os ossos quebrando em sua face. O garçom caiu podre…

Voltei para o balcão, peguei a garrafa de uísque barato, fui até a jukebox, botei uma moeda escolhi uma música do Creedence. Tomei um gole no gargalo daquele uísque merda, olhei para uma mesa onde havia uns quatro ou cinco sujeitos com caras nada amistosas me olhando e disse:

– Vocês ai seus veadinhos! Agora dancem igual mulherzinha! – Os sujeitos levantaram na mesma hora, todos armados até os dentes.

O final da história vocês já podem imaginar, fui embora com a garrafa de uísque e um bule de café, e bati meu recorde de mortes naquela cafeteria. Deveria trabalhar em uma fábrica de caixão, me traria um lucro tremendo se ganhasse uma comissão, por cada caixão feito…