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Era mais que uma tarde de domingo. Era uma tarde nublada e fria. Sempre fui um cara muito volúvel. Hora gostava de frio e chuva, hora odiava tudo. Não havia absolutamente nada para fazer, resolvi dar uma volta em um parque de diversões que chegara a pouco na cidade.

Parque de diversões eram sempre uma merda. Me lembro de certa vez quando era jovem, fui em um parque de diversões com uma garota. Era meu primeiro encontro, e não queria decepcionar. Ela adorava todos aqueles brinquedos demoníacos, aquelas longas filas para comprar pipoca e algodão doce, resumindo aquela merda toda que para mim era um saco.

Como era meu primeiro encontro, resolvi agradar a garota e encarar um tarde chata e nublada na porcaria do parque de diversões. O que a gente faz por um belo par de coxas. Lembro me como se fosse hoje, o primeiro brinquedo e único que andei, se chamava kamikaze. Se alguma vez cheguei perto do inferno foi nessa ocasião. Aquela porra girava tanto que quase meus olhos saltaram da órbita. Nunca fiquei tão mal em minha vida. Pensei que iria morrer ali mesmo. Com certeza o capeta veio me cutucar uma porção de vezes. Só não fui porque me agarrei tão forte na garota que quase quebrei sua mão.

Quando sai do brinquedo, estava tão tonto que não parava em pé. A primeira coisa que fiz foi vomitar nos sapatos da garota. Ela ficou tão puta que me largou na hora, e com ódio em seu olhar me falou:

“Vai se tratar seu nojento infeliz.”

Não foi a melhor experiência do mundo, afinal eu nunca mais vi a garota e sai decepcionado comigo mesmo, mas serviu para uma coisa. A porra do Kamikaze é foda mesmo, e não existe um macho que não aperte, quando senta naquela cadeira do inferno.

Hoje estou aqui de novo, quase vinte anos depois. Naquela tarde ele acabou comigo, e agora vou dar o troco…

O dia estava uma merda mesmo. Como já havia falado, não tinha porra nenhuma para fazer, e depois de relembrar minha triste história que tive no parque com a garota a quase vinte anos atrás, finalmente vou encarar as diversões do capeta novamente.

Afinal sou Jack Bailarino, e uma porcaria de parque nunca vai me derrubar. Primeira coisa que fiz, foi na barraca de lanches. Comprei pipoca, algodão doce e refrigerante. Devorei dois algodões doces, quatro pipocas, um litro de Coca Cola, e na passada três maças do amor. Agora estava preparado para encarar o inferno novamente.

Fui a bilheteria, e comprei um “free pass” para andar em todos os brinquedos. O primeiro que escolhi andar era justamente o único que andara em minha vida, o temido kamikaze. Ele tinha uma dívida de vinte anos comigo, e chegara o momento de nosso acero de contas. Uma fila enorme de pessoas para visitar o inferno naquele brinquedo do capeta. Era hora de eu dar o troco.

Sentei no assento ao lado de um garoto gordinho, que vibrava antes que iniciasse a sessão de tortura. Olhei para gordinho com suas bochechas vermelhas que não se conteve e falou comigo:

– O senhor não é muito velho para andar nesse brinquedo? – Olhei bem para cara do gordinho, acendi um cigarro e disse:

– Pelo menos eu vivi mais que você seu gordinho fedendo a xis bacon. Aperte bem o cinto ai gordo, que agora é hora de morrer.

O garoto gordinho me olhou com uma cara de apavoramento, quando finalmente o brinquedo dos inferno começou a se mexer. A cara de entusiasmo do gordinho agora era mais séria que nenê cagado. Enquanto aquela merda não virava, eu ria, fumava meu cigarro e cantava uma canção dos Backstreet Boys. Que maravilha, Jack Bailarino encarando meu velho amigo kamikaze quase vinte anos depois de nosso primeiro encontro.

O kamikaze deslocava cada vez mais rápido, e em uma das voltas, aquela porra começou a girar, e ai não parou mais. O gordinho de meu lado, gritava de pavor, eu ria e cantava, e cada volta o brinquedo ficava mais rápido. Até que chegara a hora de minha vingança. Meu estomago começara a embrulhar, eu só senti vindo do amago de meu ser o jato de vomito mais forte que uma “bomba nuclear.” Vomitei no gordinho ao meu lado, vomitei nas outras pessoas a minha frente, vomitei na porra toda do brinquedo. Quanto mais a merda girava, mais eu vomitava. Para melhorar ainda mais, o gordinho começou a vomitar também. Agora éramos dois, três, quatro, sei lá dez pessoas vomitando e cagando toda aquela merda de kamikaze.

Depois de alguns minutos de vomito geral da galera, o brinquedo começou a se desacelerar. Em poucos minutos o kamikaze parara em sua posição inicial. Olhei para o gordinho meu parceiro de brinquedo, que mais parecia uma vela de tanto vomito em cima dele. Puxei mais um cigarro do bolso, acendi, e joguei a carteira em cima do colo do gordinho falando:

– Não se preocupe gordo. Você vai chegar lá.

Sai do brinquedo do inferno mais tonto que nunca. Ao sentir mês pés em terra firme, olhei para o brinquedo que havia se transformado em uma lago de vomito e me senti feliz pela primeira vez em um parque de diversões.

– Agora estamos quites meu velho amigo kamikaze. Até o próximo encontro…

 

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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