Capitulo 1

 

Era uma tarde de domingo chuvosa. O bom e velho Jack sem nada para fazer, resolveu dar uma volta. Peguei meu enorme guarda-chuva, poderia cair pedras mas nada me atingiria. Caminhando na chuva e fumando um cigarro. Até minha pequena garrafa de uísque havia trazido junto para pegar uma ar.

A chuva não dava trégua. Para qualquer outra pessoa, o dia estaria uma merda, para mim estava ótimo.

Passando a esquina da praça, observei que onde havia um terreno baldio, agora encontrava se um circo. Fazia muitos anos que não assistia um espetáculo circense. Talvez fosse uma boa pedida para uma tarde de domingo chuvosa.

Fui até a bilheteria do circo, e curiosamente quem me atendeu foi um sujeito vestido de palhaço. Pedi um ingresso para as primeiras fileiras. Antes de entrar, fui comprar pipocas. Mais um palhaço me atende, e me alcança a pipoca em minhas mãos com uma cara de sarcasmo. Era impressão minha ou só havia palhaços nesse circo.

Sentei me na terceira fileira. O circo não estava muito cheio, calculo umas vinte pessoas no máximo. Deveria ser o efeito da forte chuva. Quem em sã consciência iria sair com uma chuva torrencial para ir em um circo. Só pessoas desocupadas ou que tivessem pouco apego ao calor de suas residências. Eu era uma delas.

O primeiro número era de palhaços. Uma enorme faixa com frase escrita, “Circo de Terror.” Não entendi bem do que se tratava, mas reclinei me na cadeira dura, botei meus pés em cima do acento de minha frente, peguei minha garrafa de uísque e minha pipoca, e me preparei para curtir o espetáculo.

O mais impressionante daquela circo é que até agora só havia visto palhaços nele. Era palhaço na bilheteria, vendendo pipoca, vendendo refrigerante, circulando entre as cadeiras do circo. Porra! Só tinha palhaço nessa merda de circo. Foda-se! Vou tomar meu uísque e comer minha pipoca. Espero que eles sejam engraçados pelo menos.

E começa o espetáculo. Pelo jeito era um número de mágica feito pela porra dos palhaços. Havia uma pequena mesa. Em cima dela uma cartola. Um dos palhaços também com uma cartola na cabeça, e uma varinha mágica na mão chama o seu assistente, que vem com um enorme coelho branco e gordo.

O palhaço magico pega o coelho e enfia dentro da cartola. Cobre a cartola com um imenso pano branco, puxa sua varinha mágica, fala algumas palavras indecifráveis, toca a varinha na cartola e pronto, está feita a mágica. Quando o palhaço magico puxa o pano branco, o enorme coelho gordo continua ali, e agora comendo uma cenoura. O magico palhaço balança a cabeça enquanto os poucos espectadores vão a gargalhadas.

Sabe que até eu achei engraçado aquela coelho gordo comendo a cenoura, foi hilário aquela cena. O palhaço mais uma vez pega o coelho bota dentro da cartola, põe o pano branco em cima, puxa a varinha, fala novamente as palavras magicas e puxa o pano rapidamente. E a porcaria do coelho gordo ainda está lá. E dessa vez com duas cenouras. O palhaço magico mais uma vez balança a cabeça enquanto o pequeno público vai ao delírio com altas gargalhadas.

O palhaço repete novamente todo procedimento, e quando tira o pano branco, mais uma vez o enorme coelho com uma cenoura na boca e uma pequena placa pendurada em seu pescoço, onde dizia: “Não irei sumir.”

O público era só gargalhadas. Ambos os palhaços chacoalhavam a cabeça em sinal de desaprovação. Até que o espetáculo não era tão ruim. Os palhaços conseguiam me fazer rir entre um gole e outro de uísque. Já havia comido quase um balde de pipoca, estava valendo o preço do ingresso.

De repente um dos palhaços fez sinal de silêncio para plateia. O palhaço magico colocou novamente o pano branco em cima de coelho gordo. O outro palhaço buscou um saco vermelho que estava atrás da mesa do espetáculo e deu nas mãos do palhaço magico. O palhaço segurou com uma das mãos o saco vermelho, e com a outra retirou um martelo de dentro dele. Ergueu aquele martelo bem no alto para todo público que agora olhava com curiosidade para ele.

Intrinsecamente, eu sabia o que iria acontecer. Você nunca consegue mentir para um assassino. Um assassino reconhece uma psicopata de longe. Desde que botei meu pés nesse circo, eu já sabia o que iria acontecer. Todos aqueles palhaços eram psicopatas. Só não contavam que teria um assassino cruel na plateia.

O palhaço magico, pegou aquele martelo e o mais rápido e feroz que pode, começou a desferir golpes no pano branco onde estava o coelho. Em poucos segundos o pano branco passara a ser vermelho com o sangue do coelho. O público horrorizado com a cena, batia em disparada a saída do circo. Para surpresa de todos, a saída estava fechada e dois enormes palhaços com foices e facões guardavam a porta. O pânico tomou todo o picadeiro. Um palhaço liga uma motosserra e começa a correr atrás das pessoas. O desespero é total, somente eu calmo sentado tomando meu uísque e comendo minha pipoca. Em poucos minutos o caos estava gerado. Uma meia dúzia de palhaços psicopatas, esquartejavam e destroçavam o público do espetáculo.

Todo mundo querendo fugir, justamente agora que iria começar o meu espetáculo…

Texto de: Mauricio Prestes

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