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Era uma tarde de domingo chuvosa. O bom e velho Jack sem nada para fazer, resolveu dar uma volta. Peguei meu enorme guarda-chuva, poderia cair pedras mas nada me atingiria. Caminhando na chuva e fumando um cigarro. Até minha pequena garrafa de uísque havia trazido junto para pegar uma ar.

A chuva não dava trégua. Para qualquer outra pessoa, o dia estaria uma merda, para mim estava ótimo.

Passando a esquina da praça, observei que onde havia um terreno baldio, agora encontrava se um circo. Fazia muitos anos que não assistia um espetáculo circense. Talvez fosse uma boa pedida para uma tarde de domingo chuvosa.

Fui até a bilheteria do circo, e curiosamente quem me atendeu foi um sujeito vestido de palhaço. Pedi um ingresso para as primeiras fileiras. Antes de entrar, fui comprar pipocas. Mais um palhaço me atende, e me alcança a pipoca em minhas mãos com uma cara de sarcasmo. Era impressão minha ou só havia palhaços nesse circo.

Sentei me na terceira fileira. O circo não estava muito cheio, calculo umas vinte pessoas no máximo. Deveria ser o efeito da forte chuva. Quem em sã consciência iria sair com uma chuva torrencial para ir em um circo. Só pessoas desocupadas ou que tivessem pouco apego ao calor de suas residências. Eu era uma delas.

O primeiro número era de palhaços. Uma enorme faixa com frase escrita, “Circo de Terror.” Não entendi bem do que se tratava, mas reclinei me na cadeira dura, botei meus pés em cima do acento de minha frente, peguei minha garrafa de uísque e minha pipoca, e me preparei para curtir o espetáculo.

O mais impressionante daquela circo é que até agora só havia visto palhaços nele. Era palhaço na bilheteria, vendendo pipoca, vendendo refrigerante, circulando entre as cadeiras do circo. Porra! Só tinha palhaço nessa merda de circo. Foda-se! Vou tomar meu uísque e comer minha pipoca. Espero que eles sejam engraçados pelo menos.

E começa o espetáculo. Pelo jeito era um número de mágica feito pela porra dos palhaços. Havia uma pequena mesa. Em cima dela uma cartola. Um dos palhaços também com uma cartola na cabeça, e uma varinha mágica na mão chama o seu assistente, que vem com um enorme coelho branco e gordo.

O palhaço magico pega o coelho e enfia dentro da cartola. Cobre a cartola com um imenso pano branco, puxa sua varinha mágica, fala algumas palavras indecifráveis, toca a varinha na cartola e pronto, está feita a mágica. Quando o palhaço magico puxa o pano branco, o enorme coelho gordo continua ali, e agora comendo uma cenoura. O magico palhaço balança a cabeça enquanto os poucos espectadores vão a gargalhadas.

Sabe que até eu achei engraçado aquela coelho gordo comendo a cenoura, foi hilário aquela cena. O palhaço mais uma vez pega o coelho bota dentro da cartola, põe o pano branco em cima, puxa a varinha, fala novamente as palavras magicas e puxa o pano rapidamente. E a porcaria do coelho gordo ainda está lá. E dessa vez com duas cenouras. O palhaço magico mais uma vez balança a cabeça enquanto o pequeno público vai ao delírio com altas gargalhadas.

O palhaço repete novamente todo procedimento, e quando tira o pano branco, mais uma vez o enorme coelho com uma cenoura na boca e uma pequena placa pendurada em seu pescoço, onde dizia: “Não irei sumir.”

O público era só gargalhadas. Ambos os palhaços chacoalhavam a cabeça em sinal de desaprovação. Até que o espetáculo não era tão ruim. Os palhaços conseguiam me fazer rir entre um gole e outro de uísque. Já havia comido quase um balde de pipoca, estava valendo o preço do ingresso.

De repente um dos palhaços fez sinal de silêncio para plateia. O palhaço magico colocou novamente o pano branco em cima de coelho gordo. O outro palhaço buscou um saco vermelho que estava atrás da mesa do espetáculo e deu nas mãos do palhaço magico. O palhaço segurou com uma das mãos o saco vermelho, e com a outra retirou um martelo de dentro dele. Ergueu aquele martelo bem no alto para todo público que agora olhava com curiosidade para ele.

Intrinsecamente, eu sabia o que iria acontecer. Você nunca consegue mentir para um assassino. Um assassino reconhece uma psicopata de longe. Desde que botei meu pés nesse circo, eu já sabia o que iria acontecer. Todos aqueles palhaços eram psicopatas. Só não contavam que teria um assassino cruel na plateia.

O palhaço magico, pegou aquele martelo e o mais rápido e feroz que pode, começou a desferir golpes no pano branco onde estava o coelho. Em poucos segundos o pano branco passara a ser vermelho com o sangue do coelho. O público horrorizado com a cena, batia em disparada a saída do circo. Para surpresa de todos, a saída estava fechada e dois enormes palhaços com foices e facões guardavam a porta. O pânico tomou todo o picadeiro. Um palhaço liga uma motosserra e começa a correr atrás das pessoas. O desespero é total, somente eu calmo sentado tomando meu uísque e comendo minha pipoca. Em poucos minutos o caos estava gerado. Uma meia dúzia de palhaços psicopatas, esquartejavam e destroçavam o público do espetáculo.

Todo mundo querendo fugir, justamente agora que iria começar o meu espetáculo…

O pequeno público, estava sendo completamente aniquilado pelos palhaços psicopatas. Ao me lado esquerdo um enorme palhaço com uma motosserra, acabara de arrancar um braço de um cara gordinho e careca que gritava mais que porco no abate. Ao meu lado direito, dois palhaços com foices e facões deferindo golpes em uma parte do público que tentava fugir desesperadamente. A minha frente o assistente do palhaço mágico, pega uma máquina que cospe fogo, e sai torrando quem está em sua frente. Porra! Será que é verdade tudo isso? Devo estar sonhando. Que espetáculo louco esta acontecendo bem ao alcance de meus olhos!

Eu continuava ali sentado, tranquilo, comendo minha pipoca e tomando meu uísque. Podia ficar por horas ali. Somente observando aquela carnificina. Quando terminara de dar um longo gole em minha pequena garrafa de uísque, observei que o palhaço mágico aproximava se de mim vagarosamente com o martelo em punhos. Lavado de sangue e miolos do coelho gordo que abatera anteriormente. Caralho! Eu estava até gostando daqueles palhaços, pena que ia te que acabar com eles. Mas como dizia meu velho pai:

“Se for entrar em uma orgia, enfia um saca rolha no rabo.”

Levantei me calmamente, enquanto o palhaço magico aproximava se com uma cara de sádico. Quando chegou a uns dois metros, saquei meu revolver e atirei em seu joelho. A porcaria do palhaço caiu mais podre que um saco de batata. Apontei para seu outro joelho e atirei também. O palhaço urrava de dor. Na mesma hora os outros palhaços que estraçalhavam o restante do público, mantiveram a atenção em mim, que resolvi falar:

– Prestem atenção aqui o cambada de palhaço filho da puta. É hora do show do velho Jack…Vou lhes ensinar o que é mágica de verdade…

Os palhaços vidrados olhando para mim. Peguei o martelo que estava com o palhaço mágico. Gritei:

– EU VOU FAZER ESSE MARTELO AQUI, VIRAR MERDA! PRESTEM ATENÇÃO, NÃO IREI REPETIR O TRUQUE!

Segurei firme o martelo com uma das mãos, e com a outra peguei o pescoço do palhaço que estava caído no chão, gritando de dor, pelos joelhos estourados. Mais forte que pude, deferi um golpe bem dentro do olho do palhaço. O martelo entrou todo para dentro de sua cabeça. Que coisa mais linda de se ver! O palhaço se debatia como um peixe fora da água.

– Viram só senhores… O martelo virou merda…Ha! Ha! Ha!

Os palhaços psicopatas, espumavam de raiva. Antes mesmo que fizessem algo, saquei minha arma a atirei bem no reservatório de combustível que estava as costas do palhaço incinerador. O mesmo virou uma bola de fogo, correndo em círculos no picadeiro até cair torrado no chão. Voltei minha atenção ao palhaço com a serra elétrica, que corria enlouquecido em minha direção. Guardei meu revolver e saquei Margarida.

Margarida era o nome que havia dado para minha calibre doze cano curto de dois tiros.

Margarida era sem dúvida a mais quente de todas. Mirei no palhaço da motosserra, e atirei um pouco abaixo de sua perna, arrancando metade da mesma. O palhaço caiu igual bosta no chão, jogando a motosserra para longe.

Virei me rapidamente, haviam mais dois palhaços que agora não sabiam se corriam ou se investiam contra mim. Mais uma vez Margarida cuspiu fogo e um dos palhaços caiu urrando de dor sem um dos braços. Agora havia somente um palhaço de pé.

– Vou lhe dar uma chance baby…Joga esse facão devagar no chão próximo a mim…

O palhaço não entendia nada, enquanto arrancava os cartuchos e carregava margarida novamente.

– Não irei repetir, e nem darei mais chances. Joga o facão para cá.

O palhaço pegou o facão que se encontrava no braço amputado de seu companheiro, e jogou rasteiro em minha direção. Botei margarida em cima de um dos bancos do espetáculo e peguei o facão.

– Agora vem Baby…Essa é a sua chance.

O palhaço de foice na mão, parecia não querer vir ao meu encontro. Gritei mais uma vez, e finalmente ele partiu para cima de mim como um desesperado. Com sua foice na mão deferiu uma série de golpes visando minha cabeça. Mas o desgraçado era tão ruim que na primeira que eu dei, lhe cortei o pescoço fora.

Larguei o facão no chão, peguei minha garrafa de uísque que ainda tinha um último o gole e a virei com gosto. Haviam ainda dois palhaços vivos que se arrastavam no chão do picadeiro.

-É HORA DO GRAN FINALE! – Gritei com minha voz sádica, jogando a garrafa de uísque em cima da cabeça do palhaço degolado.

Peguei a motosserra caída no chão do circo, liguei a mesma, e cortei os outros dois palhaços em pedaços. Os filhos da putas, rezavam a minha frente, eu só mandando para o inferno. Porra! Nunca havia me divertido tanto em um circo. Ao final do espetáculo, suava mais que um porco. Havia palhaço para todo lado. O sonho de qualquer criança.

Fui até a pequena mesa onde fora feita a mágica do coelho. Tirei o pano branco que tapava o que sobrara dele. Peguei o coelho com a cabeça estourada, e joguei sobre meus ombros.

– Vamos lá meu amiguinho… Vou te levar embora desse lugar, para não ter pesadelos com todos esses palhaços…Sempre gostei de carne de coelho…

Texto de: Mauricio Prestes

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