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Quando eu era garoto, meu maior sonho era ter uma máquina de fliperama em minha casa. Acho que em minha época era o sonho de todo garoto.

Hoje com toda essa tecnologia, aposto que quase ninguém sabe o que é uma máquina de fliperama de verdade.

Lembro-me nitidamente de quando joguei pela primeira vez, Street Fighter, que jogo maravilhoso. Final Fight, Captain Commando, todos ícones dos jogos de fliperama.

Finalmente depois de quase vinte anos, acho uma máquina de fliperama daquelas que jogava em minha infância. Resolvi tirar o final de semana de folga, e dei um esticada até o litoral. Eu minha moto, minha meia dúzia de cervejas, sedento por ver os rabos na praia e beber até praticamente, morrer.

No caminho resolvi parar em um bar de beira de estrada para tomar um café. Nada é mais prazeroso do que tomar um belo café com torradas na beira da estrada em um dia maravilhoso de sol. Já andara algumas milhas, e finalmente achei um local adequado. Era um bolicho velho com uma enorme placa da Pepsi na fachada. Não tinha nada de bonito ou limpo nele, mas possuía personalidade. Gosto de lugares assim.

Como havia saído cedo, estávamos próximo das dez horas da manhã, um bom horário para um café. Entrei no bar, havia uma meia dúzia de homens nele. Todos me olharam quando adentrei a porta. No balcão uma enorme senhora gorda e um sujeito magro barbudo. Sentei em um banco no canto do bar a senhora gorda veio me atender.

– O que deseja?

– Uma xicara de café bem forte e algumas torradas.

– Não temos torradas.

– O que vocês tem para comer então?

– Só pastel

– É feito na hora?

– Sim – Me respondeu a mulher gorda com uma cara de bunda absurda.

– Me faça dois então…Por favor.

Resolvi nem perguntar de que era o pastel. O homem barbudo já me olhava com uma cara de desconfiança tremenda. Não queria arrumar confusão em minha folga, apenas relaxar, era meu objetivo.

No canto do bar, havia uma máquina de fliperama. Que nostalgia, a tempos não via uma como aquela. Quando a enorme mulher gorda voltou com o café e os pasteis, lhe falei:

– Quero algumas fichas pra aquela máquina.

– Aquela máquina é somente para crianças. – Respondeu a mulher com má vontade.

– Meu filho está vindo, pode me dar as fichas.

A mulher gorda escrota, olhou para o sujeito magro barbudo, que abriu a gaveta puxou meia dúzia de fichas e bateu sobre o balcão perto de mim, e falou:

– São trinta pratas.

– Tudo isso por meia dúzia de fichas?

– Já estou incluindo o café e os malditos pasteis.

– A norma de educação diz que se cobra os clientes após o termino da refeição.

Falei eu olhando para o sujeito barbudo.

– Quem faz as normas no meu bar sou eu amigo. – Respondeu o sujeito barbudo quase cuspindo em minha cara.

– Ok. Sem problemas.

Puxei uma nota de cinquenta pratas e botei sobre o balcão. O sujeito magro e barbudo pegou rápido a nota e falou:

– Não temos troco.

– Não se preocupe com isso. Pode me dar o troco em fichas para máquina.

O sujeito puxou um punhado de fichas e largou sobre o balcão e disse:

– Se divirta.

E saiu gargalhando juntamente com os outros sujeitos do bar que se encontravam em uma mesa jogando cartas.

Peguei meu café e meus pasteis e fui rumo a máquina de fliperama. Afinal não queria confusão. Só queria um bom café e aproveitar um bom momento de nostalgia naquela máquina de fliperama.

A máquina era grandona toda preta. Liguei a mesma na tomada, uma forte emoção tomou conta de mim. Era um jogo chamado Cadilac Dinossauro. Chegou escorrer uma lágrima de meus olhos quando vi aquele jogo fantástico. Puta merda, a última vez que me senti feliz desse jeito foi quando adotei meu gato José que morreu atropelado a dois meses. Pobre José que Deus o tenha.

Mais rápido que pude meti a ficha na máquina. Aguardava ansioso para escolha dos personagens. Só que a máquina não respondia. Apenas ficava na tela inicial. Botei mais uma, duas, três, quando cheguei na sexta ficha, resolvi falar com dono do bar.

– Meu amigo. Essa máquina está engolindo as fichas.

O sujeito magro barbudo olhou para mim com uma cara de sarcasmo e respondeu:

– Ela deve estar com fome. De mais fichas a ela…

No mesmo momento a enorme mulher gorda, e os outros sujeitos do bar desataram a gargalhar.

– Ok então amigo. Sugiro que me reembolse a grana das fichas, e não teremos problemas. Vou embora tranquilo e os senhores continuarão com seu joguinho idiota de cartas e tomando a porcaria da cachaça que tem nessa espelunca.

O sujeito de barba não gargalhava mais, e nem os outros quatro indivíduos que estavam sentados em uma mesa jogando carta. O barbudo magro do balcão olhou para mim e disse:

– A máquina está estragada. Azar é o seu se não perguntou. Não vou te devolver porra de dinheiro nenhum. E vai rapando fora de meu bar se não quiser que chute seu traseiro.

– Realmente, desculpe minha falta de atenção. A máquina está estourada mesmo.

Saquei meu revolver e dei dois tiros na tela da máquina. Na mesma hora a tela explodiu, e os sujeitos que estavam jogando cartas saíram todos em disparada pela porta.

– Meu Deus o que isso? Você é um bandido?

Falou o sujeito barbudo do balcão com uma cara de apavoramento.

– Depende do ponto de vista. Posso até ser considerado um bandido. Mas nosso problema é outro aqui brow. Como a máquina está estragada, vamos fazer um outro jogo. Eu tenho aqui em minhas mãos um punhado de fichas de fliperama.

– Eu e devolvo tua grana, pode pegar aqui. Pode levar tudo que quiser.

Falou o sujeito desesperado abrindo a gaveta do balcão.

– O negócio é o seguinte, não quero o dinheiro de volta. Como havia lhe falado, vamos jogar um jogo bem mais divertido em que todos nós poderemos interagir. Você e essa gorda escrota ai, vão comer todas essas fichas que eu tenho em minhas mãos. Se algum de vocês vomitar vai levar chumbo. Essa é a porcaria do jogo.

A mulher gorda começou a chorar e abraçou o sujeito magro e barbudo. Joguei as fichas em cima do balcão e falei novamente:

– Comecem! Estou esperando seus miseráveis!

Os dois me olhavam cara de incredulidade com o que estava acontecendo.

– Por favor, não faça isso com a gente. Somos pessoas boas, trabalhadoras.

Falou o barbudo

– Vocês serem pessoas boas e trabalhadoras, não tem nada ver com isso.

Peguei meu revolver e dei um tiro bem ao lado da orelha da gorda, que desmaiou instantaneamente.

– Meu Deus do céu você matou ela. – Gritava o barbudo chorando.

– Se fosse um xis bacon com fritas, essa baleia não recusava. Não se preocupe, ela não morreu, apenas está se esquivando para você comer todas as fichas sozinho.

Peguei meu revolver botei dentro da boca do sujeito e disse:

– Prefere comer fichas ou chumbo quente?

O sujeito na mesma hora pegou as fichas no balcão e passou a engolir as mesmas, uma a uma. A cada duas ou três fichas ele vomitava, babava, batia no peito.

– Você vai engolir todas elas, e a seco seu filho da puta.

Falei eu dando mais um tiro próximo a cabeça da gorda baleia que fingira estar desmaiada.

O sujeito já vomitava sangue, mas finalmente engoliu todas as fichas.

– Viu só seu infeliz. Na hora de comer churrasco, essa monstra ai que finge em estar desmaiada não nega. Agora para te ajudar a comer umas fichinhas fliperama, deu para trás. Se eu fosse você pediria o divórcio dessa vaca gorda.

Sai do bar com o sujeito vomitando sangue e sua mulher gorda inútil fingindo estar desmaiada. Fiquei um pouco triste pela máquina estar estragada e não poder jogar Cadilac Dinossauro. Mas com toda certeza isso não foderia com minha folga. Liguei minha moto e me larguei rumo à praia, os rabos das piranhas e a cerveja.

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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