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CAPITULO TRÊS – O FIM

Voltamos ao salão, onde os casais já deslizavam ao som de um belo tango. Eu e David sentamos nas cadeiras e aguardamos o professor de dança chamado senhor Casável deslocar até nós. A mulher de branco que havia dado o tombo em David, permanecia no canto do salão olhando com uma cara de raiva e nojo para David.

– Senhores, receio que tenha acontecido um acidente, mas não se preocupem já falei com a senhorita Raquel, ela aceita os senhores como pares no curso de dança novamente.

Falou o professor Casável, um homem de meia idade com uma postura elegante.

– Pode ir agora Jack, eu prefiro só ficar olhando por enquanto. – Falou David com um papel higiênico tentando estancar o sangue do nariz.

– Deixa para mim Brow. Vou ensinar essa vaca como se dança.

Levantei dá cadeira, e desloquei vagarosamente em direção a piranha de branco, ao chegar bem próximo dela falei:

– Posso lhe pedir a honra dessa dança madame?

– A piranha me olhou com a cara de asco, e me cedeu à mão. Eu peguei em sua mão, fiz uma reverência com cabeça e fomos para o salão.

A música era um tango. Eu apreciava muito os tangos, achava de uma elegância sem tamanho. Se deixar levar pela sua melodia era fantástico. Certamente tomaria um vinho depois da aula. Nada combina mais com um tango, do que um belo vinho e um queijo Morbier.

Começamos a dançar. Em poucos segundos já ditava o ritmo da música. Arrastava aquela piranha por todo salão. Jack Bailarino já fora um profissional, quem é rei nunca perde a majestade. Estávamos nos entrosando tão bem, que a vagabunda me olhou e disse:

– Nada mal para um velho. Muito melhor que seu amigo, aquela porco nojento.

– Obrigado senhorita. Digo o mesmo. Nada mal para uma piranha vagabunda igual você!

A mulher de branco arregalou os olhos ficando perplexa com o que eu acabara de lhe falar, quando foi me dizer algo, puxei seu corpo com força, pisei em seu tornozelo e joguei a piranha de cara no meio do salão. Até pensei em chutar sua cabeça, mas a essa altura a piranha já estava gritando e chorando, chamando atenção de todo o salão.

– Meu Deus! Esse verme quebrou meu tornozelo. Prendam esse miserável ele me agrediu!

Falava a piranha chorando com o tornozelo e o nariz estourado.

– Foi acidente, ela tropeçou e caiu, não pude evitar.

Falei com a voz tranquila, enquanto todos me olhavam com cara de espanto.

Os professores começaram socorrer a vagabunda. Enquanto Madame Margot, veio até mim e gritou:

– Você machucou uma dama, fora de meu salão, e não volte nunca mais. Saia logo antes que eu chame a polícia.

Olhei bem para Madame Margot, pensei comigo mesmo. Eu já dancei o suficiente, dei de ombros, e fui em direção a porta para sair do salão. Se Madame Margot tivesse apenas falado isso, iria embora tranquilo, mas quando já estava quase saindo ela resolveu gritar mais uma vez:

– E leve esse seu amigo, gordo nojento junto com você. Não o queremos aqui também!

David já levantara da cadeira de cabeça baixa para me acompanhar, quando eu não resisti e tive que falar:

– Quer saber de uma coisa Madame Vagabunda do caralho? Por você ter ofendido meu amigo David, agora eu não vou embora. Você e esse bando de piranha aqui vão dançar com meu amigo, até ele se tornar um profissional…

Madame Margot me olhou com uma cara de espanto, junto com os demais no salão e gritou enfurecida:

– Você está completamente louco, seu velho idiota. Alguém chame o segurança para dar uma lição nesses dois imbecis. Você acha que eu, Madame Margot, ensinarei algo para vocês? Me poupem de suas insignificâncias e saiam de meu salão agora!

– Vamos embora Jack, não tem problema já estou acostumado com isso. Não me importo mais…

Falou David de cabeça baixa

– Fica tranquilo meu amigo. É realmente Madame Margot. Não será possível a senhora ensinar meu amigo David. Estou vendo uma perna quebrada…

– Perna quebrada? Do que você está falando?

Saquei meu revolver e atirei bem na perna direita de Madame Margot. Ela caiu igual merda no chão. No mesmo momento o pânico e a correria se instalaram pelo salão. Dei mais dois tiros para cima e falei:

– Negócio é o seguinte. Tirem essas duas vagabundas do meio do salão. A música vai voltar a tocar, e todos vocês vão tornar a dançar. A professorinha ali vai ensinar meu amigo David a dançar. Enquanto ele não aprender ninguém sai daqui. E se ele não aprender eu meto bala no rabo de todo mundo.

David me olhava com uma cara de total espanto. Suas bochechas nunca estiveram tão vermelhas. Ainda havia pedaços de papel higiênico em seu nariz. Antes que ele falasse algo eu disse:

– David, eu simpatizei com você, então não vou te matar. Mas quero que você se dirija ao meio do salão e mostre para eles como se dança…

Falei eu acendendo um cigarro.

– Ok Jack. Eu vou lá mostrar para eles.

Falou David gaguejando com os olhos maiores que duas bolitas.

– Você ai professora gentil. Gostei de você. Não vou lhe fazer mal. Apenas ensine meu amigo a dançar e iremos embora felizes.

A professora de dança, mesmo sem saber o que fazer, concordou com a cabeça. Logo em seguida escutei um grito do canto do salão. Era a vagabunda de branco que tinha lhe quebrado o tornozelo:

– Assassino! Assassino! Chamem a polícia para prender esse monstro!

Saquei mais uma vez meu revolver e atirei… Arranquei a orelha esquerda da piranha, que na mesma hora deu um grito histérico e desmaiou.

– Seu bando de veados. Estou perdendo a paciência. Bota a porra dessa música de uma vez e segue o baile. Meu amigo David já está ansioso para dançar. Não é mesmo David?

Falei olhando para David, que concordou balançando a cabeça rapidamente.

Finalmente soltaram a música. Sentei numa cadeira, e só observava David tentando dançar com a professora. Ele era horrível mesmo. Por maior que fosse o esforço da bela professora em ensina-lo a dançar, David era uma ameba. Nem que ficássemos um ano ali, David iria aprender. Um vez que outra eu dava um tiro para cima, batia palmas e gritava para incentivar:

– Vamos lá David. Está indo muito bem!

Não foi um ano, foram quase duas horas em que a bela professora de dança tentara ensinar David. Ele já estava soando mais que um porco. Sentia que o pessoal do salão já não aguentava mais dançar. Até que eu dei mais um tiro para cima e falei:

– Está Ok pessoal! Acho que por hoje a aula está encerrada. Agradeço a presença de todos, em especial a senhorita Maria professora de dança que auxiliou tão bem na tarefa de fazer meu amigo David aprender a dançar. Eu e meu amigo sairemos agora. Espero que não haja gritaria e nem correria enquanto saímos do salão. Odeio baderna. Mais uma vez obrigado senhores, até qualquer aula….

Despedi me fazendo uma reverência com a cabeça para senhorita Maria, que retribuiu com um sorriso tímido.

– Vamos embora David. Eu já estou com a garganta seca. Preciso beber algo, e já é quase meio dia.

David me acompanhou até a saída do salão. Na passada observamos o enorme leão de chácara deitado da mesma forma que o deixamos lá.

– Será que ajuda não veio Jack?

– Creio que não David.

Finalmente saímos do salão. O dia estava lindo. Um sol maravilhoso, eu já pensara em planos para depois do almoço.

– Quero te agradecer Jack. Nunca alguém fez algo por mim tão legal igual ao que você fez hoje.

– Tenho certeza que não David.

Apertei a mão de David e nos despedimos. Quando já estava de costas, escutei a voz de David.

– Jack! Obrigado por não ter atirado em mim!

Na mesma hora saquei meu revolver, e atirei bem em meio as pernas de David acertando o chão. David imóvel com as mãos para cima mijou-se nas calças.

– Nunca agradeça um assassino por não ter lhe matado David!

Virei de costas e fui embora. Espero nunca mais encontrar David, o velho Jack raramente erra um tiro.

 

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php 

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