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Dia difícil. Saio para beber. Tudo normal. Sempre quando as coisas me perturbam eu bebo. E quando está tudo certo, eu bebo muito.

O bar é o mesmo de sempre. O dono do bar me conhece. Eu não conheço ninguém naquele maldito bar.

Boto duzentas pratas em cima do balcão:

– Quero quantos copos de vodca der, com isso…

O barmen pega uma garrafa cheia, saca a tampa com a boca, bota a minha frente juntamente com um copo. Ele serve a primeira dose, olha para mim, dá um leve aceno de cabeça, e me abandona com minha vontade de beber.

Eu bebo, há uma lembrança horrível. Eu bebo talvez à uma grande lembrança. Faz exatos dez anos que perdi a melhor pessoa de minha vida. Faz dez anos que acabei com tudo.

É, realmente hoje é um dia difícil. Minha sobriedade é o que menos me interessa nesse momento. Espero que ninguém atravesse meu caminho. Hoje tenho vontade de ver sangue.

Bebo uma, duas, três, quatro, talvez quinze ou vinte doses. O universo me carrega em suas mãos, eu carrego o fogo nas minhas.

Sobre ideias e epifanias, vejo uma barata andar sobre o balcão do bar. Rapidamente saco minha arma e atiro duas vezes contra a barata. Antes mesmo que a fumaça se desfaça, o bar está vazio. Apenas o Barmen próximo ao balcão secando alguns copos. Ele me conhece. Eu não conheço ninguém.

Guardo minha arma, e a barata continua viva e intacta. Talvez fosse uma porra de uma barata atômica. Afinal essas merdinhas sobreviverão a várias bombas de Hiroshima, como não iriam sobreviver ao velho Jack?

Sirvo mais uma dose de vodca. Derramo toda ela sobre a porra da barata atômica. Pego minha arma e atiro mais uma vez nela. O pequeno fogo faz firula sobre o balcão do bar e a barata.

Em alguns segundos não há mais fogo, não há mais vodca, somente a barata caminhando sobre o balcão.

Pego minha arma, coloco sobre o balcão do bar.

A merdinha atômica sobe sobre ela.

Eu perco a segunda pessoa mais importante de minha vida.

Pego minha garrafa de vodca, e vou embora.

Texto de: Mauricio Prestes

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