Já ouviram falar, que a necessidade faz o cão miar? Com certeza não, e nem eu, o fato é que os tempos estão difíceis, em época de crise meus amigos, qualquer trabalho é bem-vindo.

Se fosse em outra ocasião, tinha metido uma bala na cara de quem me contratou. Mas como já falei, não podemos escolher serviços. E dinheiro é sempre bom.

Se não fosse ganhar grana para ficar um mês bebendo uísque e comendo putas, certo que pensaria duas vezes antes de aceitar esse trabalho.

Já estava totalmente caracterizada. Roupa rasgada, cabelo desgrenhado e uma maquiagem vermelha no rosto para representar sangue.

Iria participar da primeira edição da caminhada “Zumbi.” Um bando de idiotas com bastante tempo inventaram uma merda dessas para chamar atenção.

Para variar, começava as oito horas da noite, bem no horário da minha segunda dose de uísque. Pois bem vamos começar com essa palhaçada e acabar logo com isso.

Dada a largada da caminhada, “Zumbi,” um bando de idiotas caminhando igual uns retardados. Mesmo eu me sentindo extremamente desconfortável, acompanhava a trupe.

Caminhamos por umas três quadras até chegar ao primeiro ponto onde soltavam uns malditos foguetes. Nossa como eu odiava foguetes. Para mim, poderiam estourar todos nas mãos de quem os acendia.

Não demorou muito, o que eu temia aconteceu. Dois sujeitos gordinhos idênticos que estavam atrás de mim, apuraram o passo para ficar um de cada lado de mim. Será que eles queriam fazer sanduiche de, “Jack Bailarino”? Um dos gordos filhos da puta, o que estava no lado direito da minha pessoa, veio puxar assunto:

– Olá amigo! O senhor está gostando da nossa caminhada, “Zumbi,”?

– Para mim tanto faz. Estou a trabalho mesmo.

Outro gordo do lado esquerdo falou também:

– Viu que honra meu irmão. Alguém a trabalho em nossa caminhada, “Zumbi, nós somos os irmãos Marcelus. Somos os organizadores dessa caminhada.

O gordinho do lado esquerdo, me estendeu a mão com uma cara de bolacha filho da puta. Sem mostrar os dentes, apertei forte, a mão dele. Antes que pudesse falar algo, outro gordo do lado direito falou:

– O senhor é repórter ou coisa assim?

Antes que respondesse ele virou o rosto rápido e começou a gritar:

– Olha, o segundo ponto de foguetes, vamos lá galera, todo mundo pulando e gritando.

Na mesma hora saquei meus revolveres, cruzei os braços em meu corpo, e atirei, um tiro cada um. Bem na cabeça de ambos. Os dois gordos caíram feito batata podre no chão.

Guardei meus revolveres e continuei a caminhada, afinal tinha mais um ponto de foguetório, vai que alguém estoure um foguete na mão, ou talvez arrume alguma Zumbi vagabunda que queira tomar um drink. Não iria perder o melhor da caminhada.