CAPITULO QUATRO

– Ó sim grande detetive Marvin.  Tenho um caso para você, me falaram que é o melhor para isso.  Afinal é o detetive dos casos absurdos, e o que tenho não será nada fácil detetive Marvin. – Falou aquela voz enigmática sem mexer um centímetro dos seus olhos fixados nos meus.

– Sim! Tenho certeza que sou o cara certo para isso, são muitos anos de experiência em casos que poderiam derrubar governos.  Não tenho dúvida que resolverei o seu em pouco tempo. – Falei com uma voz imponente, quase teatral como se estivesse em um filme onde o herói discursando para mocinha.

– Muito bem detetive Marvin.  Vamos ao caso em especifico então. – Falou aquela voz rouca apenas com os olhos fixados em mim. Era a única parte do seu rosto que estava a mostra.

– Detetive Marvin, como pode notar estou com esse grande lenço vermelho envolvido em meu rosto. Não ficou intrigado com isso detetive?

Antes que pudesse falar algo, a voz e o par de olhos continuaram o discurso.

– Pois bem detetive, Não estou com esse lenço somente porque acho que devo me proteger do frio, Estou com ele, porque algo foi me roubado, e quero de volta. Por esse motivo estamos aqui nessa madrugada fria em frente a esse lindo chafariz.

Olhei para aquela mulher com o lenço vermelho em seu rosto, sem entender o que ela havia falado.

– Como posso lhe chamar senhorita?  – Indaguei olhando fixamente naqueles olhos castanhos escuros.

– Sim! Desculpe minha falta de educação, acabei não me apresentando, pode me chamar de Léia por enquanto.

– Muito bem senhorita Léia… Falou que algo lhe foi roubado, e que a senhorita quer de volta? Eu ainda não entendi a parte do lenço em seu rosto, mas estou a sua disposição a partir de agora para ajuda-la a recuperar o que lhe tenha sido subtraído. Sou todo ouvidos senhorita Léia, pode me explicar o caso. – Não tinha dúvidas que aquela mulher baixinha, um pouco acima do peso e com o lenço vermelho envolvido em seu rosto me deixava muito intrigado. O que seria de tão importante para marcar um encontro nessa praça em uma madrugada fria como essa?

– Pois bem, detetive Marvin, vou lhe mostrar o caso.

Aquela mulher estranha retirou o lenço vermelho que envolvia seu rosto, como se estivesse despindo se de suas roupas, com muito cuidado.

Enfim estava tendo uma das visões mais estranhas que já vira em minha vida. Ela tinha um rosto espetacular, parecia algo esculpido pelos deuses. Mas ao mesmo tempo, lhe faltava algo, que no primeiro momento não sabia falar exatamente o que seria. Talvez a noite ou a madrugada deixava me com o raciocínio lento. O que será?

– Já sei!  – Puta merda pensei alto demais e acabei dando um grito, fazendo a mulher dar até um pulinho de susto.

– Isso mesmo detetive Marvin.  Agora já sabe o que foi me roubado, preciso dele de volta o mais rápido possível.

– Com certeza senhorita. Terá ele de volta logo, isso eu garanto, ou não me chamo Marvin o detetive dos casos absurdos.

A mulher envolveu novamente o lenço vermelho em seu rosto, puxou do bolso um envelope pardo e esticou a mão em minha direção.

– Detetive, dentro desse envelope tem algumas pistas que poderão lhe ajudar no caso.

– Também há um adiantamento em dinheiro pelo serviço.  Quando termina- ló, lhe pagarei o restante, se precisar entrar em contato comigo, terá instruções ai dentro para isso. Espero ter bons resultados. Confio plenamente em seu trabalho detetive Marvin.

Peguei o envelope de sua mão, e o abri com cuidado. Puts Grila. A última vez que tinha visto tanta grana assim, foi quando achei o tesouro do rei Tigre. Naquele trabalho tinha ganhado grana para ficar um ano sem trabalhar. E foi exatamente o que eu fiz. Gastei tudo em café, mulheres e rinhas de besouro. Foi o ano mais feliz da minha vida.

De cabeça ainda baixa, admirando aquelas notas maravilhosas, que tirariam a minha barriga e do Rafaello da miséria falei:

– Senhorita Leia! O detetive Marvin não cobra adiantamentos, não seria necessário tudo isso.

Quando consegui tirar meus olhos de pura felicidade de ver toda aquela grana e ergui a cabeça em direção a mulher. Ela já estava longe, quase sumindo em meio à serração daquela madrugada fria. Enfim pensei comigo mesmo. Tenho um caso, tenho dinheiro e estou muito feliz. Vou na cafeteria da rua vinte quatro tomar um belo café com manteiga de laranja e analisar o restante do material que tenho no envelope para começar a investigação. Nunca me senti tão vivo e satisfeito comigo mesmo.