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CAPITULO TRINTA E UM

(FINAL)

Acordei em cima de minha mesa de escritório, babando na gravata como diria meu velho professor Sócrates. Havia dormido umas vinte horas no mínimo. Esse caso tinha me esgotado completamente. Eu não era mais um adolescente cheio de energia. Marvin havia ficado velho, e cansado demais para todas essas aventuras.

Escuto uma forte batida na porta de meu escritório. Será que é o senhor Tig querendo cobrar o aluguel novamente? Tomado pela preguiça, levanto de minha mesa com a coluna mais dura que gesso. Dei uma alinhada em minhas vestes, e fui a porta verificar quem batia. Quando abro a porta, tenho uma grata surpresa. Era a minha vizinha senhora Jurema, com Rafaelo em seu colo.

– Olá Marvin! Essa danadinho aqui estava com saudade de seu dono. Notei que havia chegado exausto ontem, resolvi deixa lo descansar um pouco. Imagino que esse último caso deve ter sido bem cansativo filho. Trouxe uma xicara de café, e alguns biscoitos para você. – Falou a senhora Jurema, passando Rafaelo para meu colo e largando o café com biscoitos em cima da mesa de meu escritório.

– Obrigado senhora Jurema. Sem dúvida foi bem cansativo. Espero que Rafaelo não tenha aprontado muito. Os biscoitos estão deliciosos. – Falei com a boca cheia já mordendo um biscoito.

– Não! Não! Rafaelo é um amor de bichano. Pode deixar ele comigo quando quiser. Bem, vou deixa los matar a saudade agora. Aproveite os biscoitos. Fui eu mesma quem fiz. Até mais Marvin. – Falou senhora Jurema batendo a porta na saída.

– Bom, Rafaelo meu irmão. Consegui voltar vivo dessa. Já estava até achando que a senhora Jurema ia ter que te adotar.

Foi uma tarde de terça feira tranquila. Não botei o nariz para fora. Eu e Rafaelo ficamos assistindo filmes até adormecermos. Havia botado meu despertador para as cinco da matina. Afinal iria encontrar Rose e Napoleão ao amanhecer no parque.

Cinco horas em ponto, o despertador toca. Fazia tempo que não acordava tão satisfeito naquele horário. Tomei um belo banho, quente e demorado. Vesti meu terno amarelo para ocasiões especiais. Peguei meu chapéu e comecei minha caminhada na manhã fria em direção ao parque. Uma pequena névoa caia sobre Bell Fast. Era uma típica manhã de inverno.

Chegando ao parque, Napoleão já se encontrava sentado em um dos bancos.

– Marvin meu amigo do peito. Que saudades. – Falou Napoleão correndo em minha direção, e me erguendo do chão com um abraço de urso.

Napoleão parecia mais um cachorro daqueles que encontrava seu dono ao final de um dia de trabalho.

– Obrigado meu amigo Napoleão. Também estava com saudades do amigo. Que bom que conseguimos nos encontrar novamente.

Enquanto Napoleão ainda me espremia os ossos. Um bater de palmas surgiu em minha retaguarda. Quando senti meus pés no chão novamente, virei se para ver quem era.

– Parabéns detetive Marvin. Resolveu todo caso sem precisar de nossa ajuda.

Era Rose. Mais bela do que nunca. Me olhava com uma cara de satisfação.

– Ao contrario senhorita Rose. Se não fosse pela grande ajuda de ambos, não havia saído do lugar.

No mesmo momento Rose correu em minha direção e me abraçou fortemente. Seu perfume era fantástico. Fazia algum tempo que uma mulher tão bela não me abraçava daquela forma.

– Você teve muita coragem Marvin. Acabou com a gangue vermelha. – Falou Rose me mostrando um jornal de Bell Fast com a seguinte manchete:

Detetives de Bell Fast, se unem com a Polícia de Puerto del Corvo para desmantelar quadrilha de tráfico internacional de órgãos.”

A foto fora tirada no momento em que conversava com Rick Fallon e Novaes na ambulância na casa do doutor Polanski.

– Parabéns Marvin. Você é o maior mesmo. – Gritou Napoleão me tirando dos braços de Rose e quase quebrando minhas costelas.

– Obrigado a vocês dois. Como havia falado anteriormente, não teria conseguido absolutamente nada sem ajuda dos mesmos. Fico feliz que estejamos todos bem. A propósito. Descobriram algo em suas investigações?

– Eu sim Marvin. Havia um bando de médico vagabundo naquele hospital. Quando apertei alguns deles, confessaram que operaram ilegalmente para o doutor Mark Polanski. Com a descoberta do caso, iriam a delegacia para colaborar e assumir seus erros. – Falou Napoleão com a mesma cara sádica que havia feito quando quase arrancou o queixo do cabeça de ovo com um soco.

Fiquei imaginando, que métodos Napoleão havia usado para obter a colaboração dos médicos. Na verdade nem quis imaginar. Olhei para Rose, que puxou uma foto de sua bolsa. Pude observar era Samanta Krall, um pouco mais nova abraçada na senhorita Leia. Ambas sorrindo.

– Parabéns senhores. Vejo que trabalharam como legítimos detetives. – Falei para Rose sorrindo e batendo palmas.

Ambos sorriram e aplaudiram também.

– E agora que o caso acabou, o que faremos Marvin? – Perguntou Napoleão apreensivo.

Tanto Rose quanto Napoleão não tiravam o olho de mim querendo uma resposta.

– Bem senhores. Agora. Acho que agora vamos tomar café e depois decidimos.

Rose começou a rir escandalosamente. Napoleão mesmo sem entender muito, começou a sorrir também.

– Está Ok Marvin. Mas eu pago o café. – Falou Napoleão taxativo.

– Com certeza meu amigo. Até porque estou sem uma moeda sequer no bolso.

– Não preocupe Marvin. Tenho contatos em algumas boates. Consigo arrumar um bico de dançarino para você talvez. – Falou Rose ainda gargalhando.

– Acho que depois de tudo que passei não será uma má ideia senhorita Rose. Podemos discutir isso no café por favor.

Napoleão mesmo sem entender muita coisa, abraçou a mim e Rose com seus enormes braços e gritou:

– Vamos para o café então amigos…

Rose e eu gargalhamos e seguimos juntos para o café.

Enquanto isso, no pager de Marvin esquecido em cima de sua mesa de escritório a seguinte mensagem:

Marvin aqui é Rick Fallon. Essa mensagem é urgente e confidencial. Em menos de vinte quatro horas seis pessoas se enforcaram na cidade de Puerto del Corvo. Novaes solicita nossa ajuda. Ele suspeita que há um grande assassino por trás disso tudo. E mais gente corre perigo. Estamos no caso meu velho amigo. Aguardo resposta.”

Texto de: Mauricio Prestes

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