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CAPITULO TRINTA

(PENÚLTIMO)

– Muito obrigado detetive Marvin. Se não fosse por você, ela não iria parar até destruir toda sua vida e sua carreira.

Era Leia, olhando me com um olhar doce, ainda com um imenso curativo em seu nariz.

– Senhorita Leia. Eu não entendo como pode se preocupar com uma pessoa que fez coisas tão ruins. Inclusive lhe roubando o nariz.

– Às vezes também me pergunto porque eu me importo ainda detetive. O problema é que Samanta Krall é meu sangue. Ela é minha irmã. E mesmo não concordando com suas atitudes, tenho que protege lá. Por esse motivo que o chamei. Sabia que era o cara certo para o caso. Precisava livrar minha irmã das garras da gangue vermelha e do doutor Polanski. Ela não é uma má pessoa, apenas foi iludida por falsas promessas de beleza e sucesso que durariam para sempre.

– Entendo perfeitamente seu ponto de vista senhorita Leia. Mas também penso que sua irmã é uma pessoa muito perturbada e necessita de ajuda psicológica urgentemente. Também acredito que deve ser punida pelos crimes que tenha cometido. Inclusive de mutilar sua própria irmã para ganhar um concurso de beleza. Tenho certeza que a senhorita quer proteger sua irmã. Mas ela tem que pagar pelos seu atos. Só assim poderá entrar no caminho do bem novamente.

Leia deu um enorme suspiro e voltou olhares para sua irmã Samanta Krall, que agora encontrava se sedada, e quase dormindo dentro de uma das ambulâncias de socorro do local.

– Entrarei em contato com o senhor detetive Marvin. Preciso lhe pagar o restante do dinheiro acordado pelos seus serviços.

– De maneira alguma senhorita Leia. Infelizmente não consegui recuperar seu nariz. Não me deve nada senhorita – Falei apontando para Samanta Krall com o nariz despedaçado devido ao tiro de raspão recebido.

– Não se preocupe detetive. Seu maior serviço foi feito. Salvou a mim e minha irmã. Agora estamos fora de perigo. O nariz e somente um detalhe. – Falou Leia arrancando o enorme curativo de sua face.

Agora ficara completamente confuso. O nariz de Leia encontrava se em seu devido lugar sem uma arranhão se quer.

– Realmente, eu não entendo senhorita Leia. Seu nariz está ai e perfeito. Como isso?

– Samanta Krall sempre foi a mais linda e perfeita de nossa família. A modelo de corpo escultural e rosto angelical. O único defeito que ela possuía, era seu nariz. Segundo ela, era grande e ridículo. Eu ao contrário dela, sempre fui o patinho feio da família. Baixinha e gorducha. Somente uma parte de meu corpo era perfeita. Essa parte era justamente meu nariz. Samanta tinha uma obsessão por ele. Tanto que me ofereceu tudo que eu quisesse em troca dele. De tanto ela insistir, e com o concurso miss nariz Bell Fast próximo, resolvi que iria ajuda lá, e lhe daria meu nariz para ganhar o concurso que era o sonho de sua vida. O escolhido para fazer a cirurgia foi doutor Polanski. Fomos para o centro cirúrgico para realizar o procedimento. Ao todo foram quase seis horas sem consciência alguma do que estava acontecendo. Quando acordei, encontrava me em um quarto sozinha ainda com meu nariz intacto. Logo doutor Polanski apareceu. Eu o questionei o que havia acontecido. Ele me respondeu que não seria capaz de me mutilar. Segundo ele, meu rosto era tão perfeito, que não tinha tido coragem de retirar meu nariz. Questionei sobre o que havia acontecido com Samanta. Ele me respondeu que havia resolvido o problema. Só tínhamos que fazer um acordo. Eu usar esse enorme curativo na face por um tempo até Samanta Krall se convencer que o procedimento teria sido feito. Samanta cobrou doutor Polanski para achar um bom nariz para mim. Doutor a enrolava dizendo que ainda não havia aparecido nada satisfatório. E assim Samanta acreditava piamente que estava com meu nariz em seu rosto.

– Quer dizer então que doutor Polanski tinha um certo afeto por você a ponto de lhe poupar da mutilação. Isso também significa que o nariz que ele colocou em Samanta pertence a outra mulher.

– Doutor Polanski comprou o nariz para Samanta no mercado negro. Foi ai que percebeu que o negócio poderia lhe render muito dinheiro. Entrou em contato com a máfia da gangue vermelha para conseguir suporte em todo o negócio. E formou uma rede de médicos obscuros para trabalhar no tráfico de partes do corpo. Não era apenas narizes que ele desejava negociar, e sim tudo que pudesse ser retirado de alguém e transplantado para outra a pessoa. A gangue vermelha sequestrava as vítimas e doutor Polanski juntamente com sua rede de médicos obscuros tratavam da operação. Que assim rendia muito dinheiro para todos.

– Agora entendo. No fim Samanta Krall foi mais uma marionete nas mãos de doutor Polanski e sua rede obscura. Só não entendo o porquê do sumiço repentino de Samanta krall. Qual o motivo de estarem escondidas aqui na casa do doutor Polanski.

– Ele achava que o fato de ter sumido algumas candidatas ao concurso miss nariz Bell Fast, e alheado ao descontrole emocional de Samanta que se encontrava muito nervosa ultimamente, seria bom ser preservada por um tempo até a história ganhar panos quentes. Ele tinha receio que eu ou Samanta entregássemos todo o esquema. O dia em que lhe encontrei na praça central na madrugada detetive Marvin, foi uma das raras vezes que consegui fugir de toda vigilância que havia sobre nós. Estávamos presas e coagidas pelo doutor Polanski e a gangue vermelha. Eu tinha medo. Sabia que mais cedo ou mais tarde poderíamos ser mortas. E o pior, minha irmã já estava pirando, e não aceitava sair daquela situação. Várias vezes convidei a mesma para fugirmos daquele local, mas ela nunca aceitou. Doutor Polanski enganava Samanta, prometendo beleza eterna. Samanta era obcecada por sua aparência e pelo sucesso. Ela já havia perdido toda a noção de o quão mau isso já estava lhe causando. Precisava de ajuda. Por esse motivo que acabei lhe procurando detetive Marvin.

– E porque não informa diretamente a polícia senhorita Leia. Qual motivo veio até mim? Um velho detetive quase fora de ação.

– A gangue vermelha tem na mão a polícia de Bell Fast detetive Marvin. Não faria diferença alguma. Precisava de alguém de fora da polícia que pudesse investigar e chamar reforços caso necessário. E foi isso que fiz. Parece idiota, mas procurei na internet por detetives e agentes particulares. Foi ai que surgiu seu nome, “Marvin o detetive dos casos absurdos.” Foi ai que resolvi ligar. No início tive medo. Mas depois que o encontrei na praça, tive certeza que era o cara certo para isso. Mas uma vez agradeço muito Marvin. Se não fosse por você e sua equipe, poderíamos não estar mais aqui agora. Obrigado detetive.

Antes que respondesse, um agente da polícia de Puerto del Corvo veio até nós e disse:

– Olá senhores! Sou o agente Eliot. Colega do investigador Novaes. Irei precisar tomar o depoimento de ambos para encaminharmos o caso. Acredito que a senhorita pode me acompanhar até a delegacia de Puerto del Corvo para isso. Quanto a senhor detetive Marvin, marcaremos posterior. O agente Novaes quer lhe acompanhar em seu depoimento. E parabéns detetive. Fez um ótimo trabalho.

Agradeci ao agente Eliot que apertou minha mão e saiu em direção a uma das tantas viaturas que se encontrava no local.

– Irei velo novamente detetive Marvin? – Perguntou Leia com uma ternura em seu olhar.

– Sem dúvida senhorita Leia. Depois que passar tudo isso, podemos nos encontrar para tomarmos uma xicara de café.

– Será um grande prazer detetive Marvin. – Falou Leia que de súbito abraçou me, e beijou meu rosto.

Fiquei um pouco constrangido. Mas de certa forma gostei. Leia aparentava ser uma mulher muito doce e agradável. Seu perfume era ótimo. Me senti confortável com seu abraço. Fitei meu olhar no dela por alguns segundos até a mesma deslocar em direção a viatura do agente Eliot. Tinha certeza que iria vela novamente. Uma boa sensação tomara meu corpo.

Resolvi verificar como estavam Rick e Novaes. Ambos estavam em ambulâncias lado a lado.

– Eae parceiros. Como estão?

– Pronto para outra meu caro amigo. – Respondeu Rick dando uma bela gargalhada.

– Pegamos eles Marvin. Vocês se saíram muito bem velhotes. – Falou Novaes dando um grito de dor quando uma enfermeira espetou seu braço com uma injeção.

Caímos na gargalhada.

– Senhores. Já que está tudo bem por aqui, irei para casa cuidar de meu gato de estimação. Ele deve estar com saudades. Faz alguns dias que não o vejo.

Rick e Novaes riram novamente.

– Está Ok Marvin. Irei lhe procurar para tomarmos seu depoimento. E de preferência o faremos tomando uma bela dose de uísque. – Falou Novaes fazendo sinal de positivo.

Fiz uma breve reverência com meu chapéu, e sai entre as viaturas. Alguma voz me ofereceu carona, agradeci e fiz sinal de negativo com a cabeça. Precisava de uma boa caminhada até meu escritório. Poucas coisas no mundo me traziam tanto prazer como uma bela caminhada apreciando a paisagem. Me sentia feliz e livre naquele momento. Iria cuidar de meu gato Rafaello e aguardar o amanhecer de quarta-feira para encontrar Rose e Napoleão. A essa altura eles já estariam sabendo do desfecho do caso.

Texto de: Mauricio Prestes

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