Link de todos os capítulos já postados – pulpstories.com.br/category/marvin

CAPITULO VINTE CINCO

Senti uma forte porrada na cabeça, vindo a me apagar instantaneamente. Quando dei por si, estava na mesma mesa de cirurgia que a bela moça do procedimento anterior.

Meus braços estavam amarrados, eles tiraram toda minha roupa e me deixaram apenas de cueca na sala de cirurgia. Já estava sentindo um frio danado, quando chega a mesma equipe médica de antes e o temido doutor Polanski.

– Eu fico pensando o quão corajoso é você rapaz em invadir meu laboratório. Para quem você trabalha? Para o governo? Ou talvez para os nossos rivais? – Falou o doutor Polanski em um tom extremamente calmo.

Por alguns segundos pensei em alguma resposta plausível, mas resolvi falar a verdade, afinal naquela situação não faria tanta diferença.

– Sou um detetive particular. Minha alcunha é Marvin. Investigo uma caso de roubo de nariz.

Doutor Polanski e sua equipe se olharam por um momento e caíram na gargalhada.

– Quer dizer então que você invadiu a sede da gangue mais temida da cidade para procurar um nariz. Tomara que eles tenham te pagado muito bem para isso detetive Marvin. Pelo transtorno que nos causou, o mínimo que podemos fazer é lhe transformar em mercadoria. – Falou doutor Polanski dando mais uma gargalhada.

Eu sabia que a situação estava feia. Era praticamente impossível escapar desse vez. Por mais que pensasse em algo, não encontrava solução. É, definitivamente estava ferrado.

– Antes que eu lhe mate detetive Marvin, tem algo mais a dizer. – Disse doutor Polanski.

– Olha, na verdade, eu não saberia o que dizer antes de um convite desses. Mas já que vai me matar, me esclarece uma dúvida. Onde está Samanta Krall? Vocês a mataram também?

Doutor Polanski fez uma expressão séria por alguns segundos até falar:

– Meu caro detetive Marvin. Como você mesmo disse, já sabe do seu destino. Vou lhe responder essa pergunta em virtude de todo o esforço que fizeste para chegar até aqui. Samanta Krall está mais viva que nós dois juntos. Ela faz parte do esquema. Foi com ela que começou tudo isso. Essa hora ela deve estar quentinha em sua casa tomando um bela xicara de chocolate quente, aguardando o próximo nariz que lhe cairá bem.

– Então o senhor quer dizer que ela é uma das responsáveis por todo esse esquema de tráfico de narizes.

– Exato detetive Marvin. Samanta Krall é uma mulher linda, porém muito vaidosa e nunca aceitaria que outra mulher tivesse o nariz mais belo que ela. Ela tem a síndrome da bruxa da Branca de Neve. Como vos fala, ela roubou o nariz de outra mulher para ganhar o concurso de Miss Nariz Bell Fast. Samanta Krall nunca teve uma belo nariz. Ela é uma farsa. Depois disso só veio ideia de vender os mais belos narizes de nossa cidade para mundo.  Afinal o mercado da beleza é o que mais cresce não é.

– Então Samanta Krall é tão bandida quanto vocês. Ela faz parte de todo o esquema e só forjou seu desaparecimento. Mas para que tudo isso? Como vocês podem mutilar belas mulheres ao custo apenas de vaidade.

Doutor Polanski mais uma vez olhou para sua equipe e caiu na gargalhada.

– O que o senhor acha que gira o mundo detetive Marvin? Puxe bem em sua mente. O que gira o mundo, é dinheiro e aparência. Somente isso. Estamos prestes a criar o maior negócio de beleza de todos. Vamos tirar de quem tem demais, e vender para quem tem muito dinheiro. Só estamos deixando o mundo mais justo. Ou você consegue ver justiça em uma mulher gorda e baixinha ter o nariz perfeito e uma mulher como Samanta Krall uma modelo nata, ter um nariz mais feio que de uma bruxa. Estamos apenas corrigindo os erros do criador. Claro que em troca precisamos lucrar milhões com isso. É a vida detetive. Encare isso como a evolução da beleza no mundo. Como um aplicativo de celular, você entra e compra o que lhe interessa e ainda paga um preço honesto por tal operação.

Depois que o perverso doutor Polanski terminou sua explanação, lembrei de minha cliente Leia. Então era isso que havia acontecido com ela. Tudo estava bem claro agora. Antes que pudesse falar algo mais, doutor Polanski me interrompeu e falou novamente:

– Agora chega de balela detetive. Já que o senhor veio atrás de uma nariz, a primeira parte de seu corpo que vou arrancar vai ser o seu nariz. Acho difícil que alguém queira ele, mas sempre temos uns clientes retardados. Como senhor me causou muitos problemas, não iremos gastar tempo com anestesias.

Agora sim sentia que estava ferrado de vez. O grande detetive Marvin de tantos casos e missões perigosas resolvidas iria ficar mais estripado que o Frankenstein naquela mesa de cirurgia. Doutor Polanski pegou o bisturi e se aproximava lentamente de mim. Fechei bem meus olhos e comecei a rezar. “Meu Deus, espero que o senhor não precise ainda, de um detetive no céu. Acho que tenho alguns casos ainda para resolver aqui na terra.”

Espremi bem meus olhos esperando o afiado bisturi aparar meu nariz. Quando já estava com lágrimas correndo em meus olhos, um estouro vindo do laboratório ecoou pela sala de cirurgia. Escutei uma confusão de vozes e um imenso agito. Quando abri meus olhos, Deus havia escutado minhas preces. Era Rick Fallon e uma equipe de polícia da cidade de Puerto del Corvo. Doutor Polanski e seus comparsas, agora estavam com as mão para cima, em virtude das armas apontadas para os mesmos da polícia de Puerto del Corvo. Eu ainda não podia acreditar que estava salvo.

– Meu velho amigo Marvin. Bem na hora hein. Vai ficar me devendo uma dúzia de cervejas por salvar seu traseiro. – Era Rick Fallon sorrindo com sua cara de bonachão.

Alguns policias me desamarraram da mesa de cirurgia. Na mesma hora levante e abracei Rick Fallon em sinal de gratidão. Quando o larguei, vi que o mesmo estava todo vermelho e constrangido.

– Marvin você está só de cueca. Vista suas roupas ai depois podemos comemorar. – Falou Rick Fallon ainda vermelho.

– Está Ok meu amigo Rick Fallon. Vou vestir minhas roupas, que temos algo ainda a fazer.

Peguei minhas roupas e vestia o mais rápido que podia. Sabia que o caso ainda não estava encerrado. Faltava a última peça do quebra cabeça.

Texto de: Mauricio Prestes

Curta a Pulp Stories