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CAPITULO VINTE

Entrei no caminhão do sujeito barbudo, que me olhava com uma cara de poucos amigos. Sem falar uma palavra ele partiu em direção ao portão da fábrica. Chegando lá, um sujeito com uma prancheta na mão veio falar conosco.

– Eae Dino! Tudo certo?

– Tudo certo nada. Estou trabalhando mais que cachorro de bandido. Essa é minha última carga hoje. Depois daqui é cerveja com as vagabundas no bar do Ralf.

Respondeu o motorista barbudo dando uma gargalhada e olhando para mim.

– Quem é o figura ai Dino? Perguntou o sujeito da prancheta apontando para mim.

– É um idiota que arrumei para me dar uma mão no descarregamento da carga. O meu ajudante passou mal. Bebeu igual um porco no cio ontem, e não veio trabalhar hoje aquele cretino.

Falou o sujeito barbudo dando mais uma gargalhada, e olhando para mim novamente.

– Ele é de confiança? Perguntou o sujeito com a prancheta na mão que me olhava com cara de poucos amigos.

– Fica tranquilo Alemão. É só um idiota que quer ganhar cinquenta pratas. Não é mesmo sujeitinho esquisito? – Respondeu o motorista barbudo dando um tapa violento em minhas costas.

Eu apenas confirmei com a cabeça.

– Está bem então Dino. Pode entrar, seu box é o vinte e seis. Descarrega o produto, e está liberado para a cerveja e as vagabundas. – Falou o sujeito da prancheta agora com um sorriso nos lábios. O sujeito barbudo fez sinal de positivo, ligou o caminhão e já estava prestes a adentrar na fábrica da gangue vermelha. Mas antes de entrar ele me disse:

– Presta atenção no que vou te falar sujeito esquisito. Aqui dentro você é cego, surdo e mudo. Não toque em nada e não pergunte nada. Apenas descarregue rápido para irmos embora e tomarmos umas brejas.

Mais uma vez balancei a cabeça em confirmação. Finalmente entramos na fábrica. Logo na entrada havia dois guardas com uniformes militares fortemente armados ambos com capuz em suas cabeças. Os dois acenaram para nosso caminhão.

– Aposto que nunca viu uma arma tão grande né sujeitinho esquisito. – Falou o motorista barbudo dando mais uma grande gargalhada, e mais uma vez um forte tapa em minhas costas.

O pátio da fábrica era gigante. Contei no mínimo umas dez guaritas todas com guardas fortemente armados. Fizemos quase uma volta completa no pátio até chegarmos a um dos pavilhões que havia a denominação box vinte seis.

O caminhão entrou no enorme pavilhão. Uma centena de pessoas trabalhavam em um ritmo alucinante. A maioria em cima de mesas separando o produto branco que calculei que seria o carro chefe das vendas da gangue vermelha.

O motorista barbudo parou o caminhão bem próximo a uma enorme pilha de sacos do mesmo produto que as pessoas separavam e embalavam em sacos menores.

– O sujeitinho esquisito. Pode descer agora. Vamos descarregar rápido sem muita trela. Temos uma porção de material para empilhar. Se formos ágeis, conseguimos terminar em meia hora.

Balancei a cabeça mais uma vez em sinal de positivo. Desci com todo cuidado do caminhão, para não denunciar meus equipamentos embaixo de meu casaco roxo. Sabia que agora era hora de agir, e teria que ser rápido e eficiente, se não acabaria em um barril com ácido rapidinho.

Chegando na traseira do caminhão, o sujeito barbudo abriu o baú do mesmo. Havia com certeza mais de cem sacos para ser descarregados. Realmente se não fossemos rápidos, levaria uma tarde toda de trabalho.

– Você sobe lá e vai trazendo os sacos escuros primeiro, que vou buscar um carrinho para agilizarmos o processo. – Falou o sujeito barbudo que já deslocara buscar o carrinho que havia prometido.

Subi no baú do caminhão, e para minha sorte havia um vão entre as sacos escuros e os mais claros. Isso me permitia ir para fundo e planejar algo até que o sujeito barbudo voltasse. Os sacos se dividiam em mais escuros, parecendo sacos de farinha de cana de açúcar e sacos mais claros. Todos carimbados com a sigla “GV” de gangue vermelha.

Fui até o fim do baú do caminhão, peguei alguns sacos, joguei para chão e consegui um pequeno espaço para esconder me temporariamente. Abri meu casaco e preparei meu equipamento. Logo já escutara a voz do sujeito barbudo gritando por mim.

– O sujeitinho esquisito. Já estou esperando. Pode mandar os sacos. Vamos seu idiota não temos o dia inteiro.

Mantive o mais absoluto silêncio, até o motorista barbudo subir no baú.

– Puta que pariu seu idiota, vou arrancar seus dentes se te pegar dormindo ai atrás.

Falou o sujeito barbudo deslocando em passos largos para fundo do baú do caminhão.

Eu escondido em um pequeno vão me preparava para ação. O sujeito barbudo chega próximo ao local de meu esconderijo e esbraveja:

– O que você está fazendo ai imbecil? Você não quer ganhar as cinquenta pratas não? Precisamos descarregar esse caminhão idiota. – Falou o barbudo com raiva em seu olhar.

– Me desculpe senhor motorista. Infelizmente não poderei lhe ajudar. Tenho outra missão. Não era minha intenção lhe machucar, mas vejo que não terei outra opção senão bota lo para dormir algumas horas. – Falei olhando fixamente para o sujeito barbudo.

Antes mesmo que ele respondesse, acionei meu soco do curinga, e disparei diretamente em seu queixo, que caiu na hora desmaiado. A porrada foi tão rápida e forte, que ele se quer teve tempo de se mexer.

Peguei uma fita de selar caixas e alguns metros de cordas que estavam na cabine do caminhão, amarrei o barbudo e passei fita em quase toda sua cabeça. Quando terminei ele parecia uma múmia dormindo. Vai ficar algumas horas desacordado, o efeito do soco do curinga dura um bom tempo. Botei alguns sacos em cima da múmia barbuda. A intenção era deixa-lo bem escondido caso alguém viesse verificar. Arrumei meu equipamento, fechei meu casaco e estou pronto para guerra na fábrica da gangue vermelha. Pelos meus cálculos, estou próximo de desvendar o caso do roubo do nariz.

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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