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CAPITULO DEZENOVE

Depois de passar em meu escritório que transformei em casa, e deixar Rafaello com a senhora Jurema. Peguei mais uma vez o mapa e analisei onde seria meu primeiro ponto a ser visitado. Tenho dois lugares para escolher, a fábrica da gangue vermelha e o local que seria a casa do Doutor Poloski. Ambos seriam perigosos, mas sem dúvida a fábrica da gangue vermelha seria o local mais complicado a ser visitado.

Vamos escolher na sorte, coloquei o mapa em cima da mesa de meu escritório, peguei uma moeda, fechei meus olhos e a joguei em cima do mapa. Agora é só abrir os olhos e verificar onde a moeda parou mais próxima, esse será o primeiro ponto que irei.

Não sei se para minha sorte ou azar, a moeda parou bem em cima de onde se encontrava a dita fábrica da gangue vermelha. Bem, se o destino escolheu esse caminho para Marvin, irei abraçar os perigos que me esperam lá. Dessa vez terei que apelar. Abri minha gaveta de equipamentos de casos absurdos. Peguei meu famoso cinto do Marvin. Eu fiz ele inspirado no cinto de meu herói favorito, o Batman. Nele haviam granadas de farinha e pimenta, óculos de visão noturna, estilingue com saco de munição de bolitas, uma raquete de mata mosquito que dá um belo choque, um pager, e um super soco do Coringa que atinge quase dois metros. Juntando com minha lanterna, meu canivete suíço e minha bola de borracha, estou pronto para guerra.

Fazia tempo que o “Grande Marvin,” não precisava se equipar tanto para uma missão. Mas afinal era um caso de alto risco, e mesmo com todo meu aparato, não saberia prever se teria sucesso. Dei mais uma boa olhada em meu escritório que havia transformado em casa. Nele havia uma bela foto minha com Rafaello em cima de minha mesa, respirei fundo, peguei meu casaco roxo e sai porta a fora.

Vamos lá, fábrica de drogas da gangue vermelha. Ela ficava alguns quarteirões a leste de meu escritório. Acredito que em meia hora de caminhada chegaria lá tranquilo. Antes de ir passei em uma quitanda e comprei duas maças com as moedas que me restavam. Uma delas guardei em meu bolso e a outra fui comendo enquanto caminhava e admirava a paisagem.

Foi meia hora de caminhada. Meio quarteirão antes, já avistava um enorme pavilhão velho. Era todo cercado por um muro de concreto que beirava uns dois metros de altura. Um enorme portão velho se abriu bem no momento de minha observação. Dois sujeitos enormes faziam a segurança do portão, deu para ver nitidamente que estavam armados. Um caminhão baú parou bem na entrada enquanto um dos sujeitos com uma prancheta em mãos chega na cabine do mesmo e começar anotar algo. O caminhão possuía um enorme símbolo de deposito de frutas em suas portas. Em poucos minutos o caminhão foi liberado e adentrou ao portão que fechou se rapidamente. Não seria nada fácil entrar na fábrica da gangue vermelha pensei comigo mesmo. A segurança e bem reforçada, o muro e alto demais para tentar pular. E o pátio pelo que observei era cheio de câmeras de segurança. Avistei até algumas guaritas que deveriam ter vigilantes armados até os dentes. O jeito era sentar me um pouco ao meio fio e aguardar uma boa ideia, ou uma oportunidade de entrar.

Peguei minha outra maça, e fiquei a saboreando enquanto curtia o sol que era intenso àquela hora. Afinal já passava do meio dia e não havia tido tempo de almoçar. Mas estava tranquilo, as maças que comprara eram de ótima qualidade e cumpriam bem o papel de saciar minha fome, pelo menos por enquanto.

Alguns minutos se passaram eu continuava a observar o portão que abria e fechava com o fluxo intenso de caminhões que entravam e saiam a quase todo o instante. Se essa é a fábrica da gangue vermelha mesmo, o negócio e muita maior do que pensara. Muita gente importante deve estar envolvida com essa gangue, não saberia em quem confiar se tivesse que acionar ajuda da polícia.

Não sou muito adepto as novas tecnologias. Mas reconheço que elas devem ser usadas a nosso favor. Tirei de meu cinto um pager de segurança é como o chamo. Nele possuo comunicação com os principais detetives da região. É uma espécie de rede social dos detetives, onde se precisarmos um dos outros, mesmo com toda rivalidade e vaidade que existe entre os detetives. Seguimos nosso código de conduta, e nele rege que nunca deixaremos um irmão detetive em perigo. Busquei o nome de Rick Fallon no pager. O único detetive além de mim que está ativo em Bell Fast, e mandei a seguinte mensagem:

“Caro colega Rick. Aqui quem vos fala é o detetive Marvin. Te mando essa mensagem porque sei que é o único além de mim ativo em Bell Fast. Estou entrando no depósito da gangue vermelha, se não der notícias dentro de uma hora precisarei de ajuda. Obrigado.”

Guardei meu pager, e voltei a matutar como poderia adentrar naquela fortaleza da gangue vermelha. Daqui uma hora Rick Fallon estará aqui e ainda vou estar sentado ao meio fio da calçada. Precisava agir, e rápido. Pensa Marvin. Colocaa os neurônios para funcionar… Como conseguirei passar pelos guardas e entrar na fábrica? Divagava em meus pensamentos para uma solução para o problema, quando escuto uma voz:

– Ei babaca. O que está fazendo ai?

Olho de súbito, um caminhão parado próximo ao meio fio e um sujeito gordo no volante olhava me fixamente.

– Me desculpe senhor. Estou apenas descansando. Não vejo alguma placa que impeça isso. – Respondi ao sujeito levantando me do meio fio.

– Sem problemas idiota. Quer ganhar cinquenta pratas?

– Não estou entendendo senhor. – Respondi ao sujeito com expressão de dúvida.

– Sim idiota! Te pago cinquenta pratas para me ajudar a descarregar esse caminhão lá no depósito.

– Dentro da fábrica da gangue, “ops,” desculpe naquela fábrica ali na frente eu quis dizer? – Falei para o sujeito barbudo meio inquieto.

– Você é retardado ou o que?  O que eu te falei? É sim naquela fábrica ali na frente. Vai querer as cinquenta pratas ou não?

– Claro que sim senhor. Será um grande prazer eu poder lhe ajudar. – Respondi quase dando um salto de felicidade.

– Sobe ai então o sujeitinho esquisito. Já vou avisando, vai ter que suar para ganhar as cinquenta pratas, não vai ter moleza não hein. – Me disse o sujeito barbudo mandando eu entrar no caminhão.

Quase não acreditava que meu primeiro problema já estava resolvido. Iria entrar na fábrica. Agora sim começariam meus maiores problemas… Mas como já havia dito, não tem mais volta…

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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