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CAPITULO QUINZE

Eu e Napoleão corremos em direção a porta. Rose havia conseguido tirar os dois brucutus do nosso campo de visão. Embora tivesse preparado, não fazia a mínima ideia do que fazer quando entrássemos no bar dos traficantes.

– No três Napoleão, entramos.

– Certo Marvin.

– Um, dois…

Antes mesmo de terminar de contar Napoleão escancarou a porta e já estávamos dentro do local. Realmente era como Rose havia falado. Uma espécie de bar particular, algumas mesas, um balcão e uma jukebox tocando música.

Havia apenas uma mesa ocupada. Três sujeitos mal encarados nos olhavam com raiva em seus olhos, estavam sentados próximo à mesa. Algumas cervejas, um litro de uísque e vários cigarros faziam parte da paisagem onde os sujeitos se encontravam. No balcão um enorme sujeito gordo, negro com cabelos amarelos nos observava como se fossemos extraterrestres. Por alguns segundos, permanecemos calados apenas olhando, até que resolvi falar.

– Olá senhores. Eu me chamo Marvin, e esse grandalhão aqui do meu lado Napoleão. Estamos procurando uma amiga nossa que despareceu, se não fossemos causar muito incomodo para os senhores, eu gostaria de fazer lhes algumas perguntas…

O sujeito que estava sentado ao centro da mesa, parecia ser o chefe deles. Era um homem careca, cheio de tatuagens com um cigarro na boca. Depois que me pronunciei, ele engoliu o cigarro e disse:

– Que diabos é isso? Liberaram o circo na cidade? Tony chuta esses idiotas pra fora! Cadê a porra da segurança da porta? – Falou olhando para o enorme homem negro atrás do balcão chamado de Tony.

– Tudo bem seus desavisados, aqui não é circo, vão rapando fora antes que chute seus traseiros. – Disse o sujeito negro de cabelo amarelo que se encontrava atrás do balcão.

– Senhores. Não quero ser indelicado com todos vocês. Mas precisamos de algumas respostas. E presumo que esse é o local onde posso encontra-las, peço lhes a compreensão dos senhores, que todos sairemos felizes daqui.

– Isso mesmo. Meu amigo Marvin quer umas respostas. E não vamos embora enquanto não nos derem elas. – Falou Napoleão, logo após o meu discurso, com aquela velha cara de psicopata que eu já conhecia. Nessa altura do campeonato, sabia que iríamos ter problemas.

O sujeito careca começou tremer o olho esquerdo. Ficou nos observando por algum tempo, até sacar um enorme revolver que mais parecia uma espingarda e dizer:

– Muito bem o sujeitinho esquisito e rolha de poço. Agora sou eu que quero fazer algumas perguntas. E dependendo do que falarem vou matar vocês dois. Tony, bota duas cadeiras para esses idiotas sentarem ai.

O grandalhão Tony, nos trouxe duas cadeiras. Na mesma hora sentei em uma. Napoleão permanecia de pé.

– Não vai sentar o coco de baleia? Se não sentar em dois segundos, vou te encher de furo.

Disse o sujeito careca com a arma apontada para Napoleão.

– Não se preocupe. Meu amigo já vai sentar.

Falei pegando no braço de Napoleão e o fazendo sentar na cadeira.

– Primeira pergunta babacas. Como chegaram até aqui? – Indagou o sujeito careca com arma apontando para mim.

– Como lhe disse nobre senhor. Estamos à procura de uma amiga nossa, chamada Samanta Krall. Se puder nos ajudar com alguma informação…

O Sujeito careca olhava para mim e para Napoleão com uma expressão perversa. Conseguia ver em seu olhos a vontade que ele estava de encher a gente de chumbo.

– Vocês acham que aqui e balcão de informações porra? Aqui é um comércio. Tocamos farinha no rabo dos playboys. E você e esse teu amigo elefante ai vem com essa conversinha de donzela desparecida. Eu quero quinhentas pratas pela minha mercadoria agora, ou vou matar os dois!

Falou o sujeito careca botando em cima da mesa um pequeno tablete com pó branco

– Peço lhes desculpa pelo incomodo senhores, não viemos comprar nada. Já entendi que não sabem nada sobre nossa amiga desaparecida. Podemos ir embora agora mesmo e não os importunaremos mais.

O sujeito careca, juntamente com os outros indivíduos começaram a gargalhar alto, até retomar sua atenção em mim e falar:

– De onde que você saiu o sujeitinho estranho?

– Ele não é estranho. Ele é o Marvin. O melhor detetive dessa cidade. E além disso é meu amigo o cabeça de ovo. – Falou Napoleão estufando o peito

Se as coisas já estavam difíceis, agora certamente iriam piorar depois do que Napoleão havia falado. Não era o momento para elogios. O sujeito qual Napoleão havia chamado de cabeça de ovo, agora espumava de raiva…

– Quer dizer que vocês são tiras então. Tony! Traga o tanque de ácido! Vamos ter que dissolver alguns ossos. E traga o maior que tiver, porque a baleia ali vai consumir bastante.

– Acho que não era necessário chegar a tanto senhores. Não somos tiras. Eu sou Marvin, apenas um detetive particular. Estou investigando um caso, não me importo se aqui é uma boca de tráfico, apenas queremos ir embora em paz.

– Você só pode estar de zoeira, o comédia, vem até aqui em meu estabelecimento comercial, quer me cobrar respostas sobre uma piranha desaparecida, e ainda que sair assim de boa. Não é assim que funciona não detetive Marvin.

Falou o sujeito careca, levantando se, de sua cadeira.

– Segurem o filhote de baleia que vou dar um trato no detetive aqui!

Os dois sujeitos mal encarados que estavam ao lado do careca levantaram também. Antes que Napoleão tentasse algo já havia duas pistolas em sua cabeça. O sujeito veio até mim, e quando chegou bem perto agarrou meu colarinho bem forte e me jogou de costas no chão. A pancada foi tão intensa que até me faltou ar. Quando recobrei a consciência, olhei para lado e Napoleão também já estava no chão com uma pistola dentro de sua boca. Com a forte batida, voou meu canivete e minha bolinha do bolso. O careca prontamente juntou meu canivete e disse:

– Isso pertence a você? Seu mariquinha. Sabe que vou fazer com isso detetive Marvin? Vou lhe enfiar na garganta e lhe fazer um belo colarinho com isso. Depois vou derreter seus ossos naquele tanque ali que Tony está trazendo.

– Mais uma vez eu lhe peço desculpa se ofendemos a vossa senhoria. Seria desnecessário nos matar. Somos apenas dois idiotas, realmente. Podem nos mandar embora e nunca mais nos verão.

Podia escutar Napoleão resmungando algo. Só não entendia por ele estar com uma arma na boca.

– Não se preocupe meu amigo Napoleão. Tenho certeza que meu amigo aqui, cujo não sei o nome, apenas sei que é desprovido de cabelos, terá bom senso e nos deixara ir embora.

Falei eu com o canivete a centímetros de distância de meu pescoço.

– Quais são suas últimas palavras Cabron?

Pensei comigo mesmo. Dessa vez estávamos realmente encrencados. Olhei mais uma vez para Napoleão, ele mesmo com uma arma em sua boca parecia estar calmo. Sabia que aquela situação havia fugido de nosso controle, e provavelmente não sairíamos vivos dali. Vou falar a última coisa boa que me veio na cabeça antes de ser morto pelo senhor cabeça de ovo como disse Napoleão.

– Peitos da Rose.

– O que? Que diabos de peitos da Rose é esse Cabron?

Quando o sujeito careca terminou de falar, escutei um forte estampido. Na mesma hora fechei os olhos e pensei, estou morto, acabou tudo. Mas uma voz familiar gritou em minha direção:

– Marvin! Pegue a arma…

Era voz de Rose… Impressionante… Ela havia atirado e acertado bem na orelha do sujeito careca que rolava de dor no chão. Quando olhei para o lado Napoleão já tinha tomado as armas dos dois capangas e desmaiado os mesmos. Nunca pensei que os peitos de Rose tivessem tanto poder.

 

Texto de: Mauricio Prestes – facebook.com/profile.php

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