Devagar, devagar
Tijolo a tijolo
A torre é construída
Então junto com a alegria
Vem os ventos da tempestade
Os mares agitados da costa
E os fantasmas de velhos galeões
A sorrir loucamente e incentivar loucuras
E a torre desaba
E desaba tantas vezes
Que experimenta-se então
Uma vida de vagar pela praia a atirar pedras
E conchas e estrelas do mar
Mas a vida das alegrias fúteis
E das paixões ferozes
Também não satisfaz
E percebemos que só estamos feridos
E inadvertidamente ferindo gente
E então as nuvens são escuras
E o vento faz som de lágrimas e a chuva é
Gelada e cinzenta
E então se está só, ante olhares invisíveis
De reprovação e escárnio
Escombros de um torre, tentativa de ergue-la
Várias vezes, várias vezes,
E memórias de feridas, feitas e sofridas
Várias vezes, várias vezes

Texto de: Luiz Hasse
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