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CAPITULO V

Mas o maldito já tinha tudo organizado. Três dos vinte ficaram pra trás e, quando ninguém mais poderia ouvir, voltaram pra fazenda e encontraram o velho, que já os esperava de arma na mão. Dois ele matou tão logo os viu. O terceiro lhe baleou no peito e fugiu.
Depois, no meio do caminho, sete dos vinte ficaram pra trás e esperaram acampados na estrada por onde viria o tropeiro Francisco, voltando sozinho, de tocaia, pra dar um fim no homem.
E lá vinha Francisco, pela estrada, e trazia na algibeira as duas alianças de ouro, que ele comprara com o dinheiro que tinha conseguido nesta última tropeada de sua vida, e vinha feliz, pra transformar em noiva sua namorada, e amiga de tempos de criança, a quem seu coração sempre fora fiel e sempre seria. Um moço bom, trabalhador, pacato e religioso, que ignorava o que a sorte lhe guardava na curva da estrada.
E foi ainda naquela noite, com uma lua cheia brilhando no céu, que o cavalo de Francisco empacou, e ele viu surgir à sua frente três outros cavaleiros, com os ponchos a esconderem as armas. E, destes três, o mais da frente, perguntou:
-És Francisco? Estás voltando de uma tropeada?
-Quem quer saber? – perguntou o moço, desconfiado.
-Se fores, Eulália tem um recado pra ti.
Francisco não precisou responder. O jeito que ficou seu rosto, naquela noite clara, disse tudo. E outros quatro surgiram por trás e o derrubaram do cavalo. Ele era valente e peleava bem com uma adaga na mão, mas não há valente com adaga que possa com sete carregando trabucos.
Mas os sete malfeitores não o mataram assim, sem mais nem menos. Augustinho tinha dito pra maltratar, e isso eles sabiam fazer. Depois que seguraram o tropeiro, lhe deram uma surra até lhe tirar toda a força, depois arrancaram as roupas e, com facas de churrasco, lhe abriram talhos na pele, sem cutucar muito fundo, só pra fazer sangrar e doer. E depois levaram o moço pra um capão perto da estrada, amarraram as mãos dele, e penduraram ele por elas numa árvore alta. E lá ficou Francisco, sangrando, os pés balançando longe do chão, e gemendo de dor, pra morrer aos poucos, enquanto os sete iam embora gargalhando…
Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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