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CAPITULO 6

No instante em que eu matasse aquela menina, minha existência PERDERIA O SENTIDO – PARA SEMPRE!
E eu gostava de viver. Gostava e ainda gosto. Pra caramba! Muito mais do que você imagina!
Eu não sei o que poderia me acontecer, talvez eu simplesmente desligasse, ou me jogasse num canto e não me levantasse mais. Talvez o meu condicionamento tenha ainda alguma surpresa – tipo fazer eu me jogar duma ponte e lá ficar, com os peixinhos mutantes no fundo de um rio superpoluído…
E, mesmo que não fosse nada disso, os meus criadores não tinham mais utilidade pra mim – aliás, eu era uma pista, um risco, uma evidência que seria eliminada tão logo possível.
Uma vez que matá-la, então, significaria uma espécie de conclusão da minha vida e desapego automático da mesma – uma espécie de “Nirvana” – então matá-la naquele momento era assassinar a mim mesmo.
E, meus irmãozinhos, eu sou tudo, menos budista. Eu gosto de viver.
Levei ela comigo. Viva e bem.
E assim ela permanecerá – nada me obriga a matá-la JÁ. E, se eu puder, quiser, ou precisar realmente fazer isso um dia, tenho de mantê-la vivinha e bem tratada até esse momento… e, se eu puder me livrar do condicionamento antes, então tanto melhor.
Bem, ela está segura, meus chapas. Tão segura quanto nunca esteve. E, quanto menos vocês a procurarem, melhor. Eu a defenderei com todas as minhas forças contra qualquer perigo – e, se quem me mandou fazer o serviço acreditar que ela empacotou, a quantidade de perigos diminui bastante.
Assumam que ela esta morta e será melhor pra todos nós – e, se quiserem ir atrás dos caras que estão por trás de tudo, acho que é um evidente sinal de minha boa vontade o fato de eu ter generosamente dado boas pistas de como começar.
Quanto a mim…
Não dou a mínima pros joguinhos econômicos, familiares, jurídicos e sociais de vocês todos. Ela não precisa recuperar a fortuna, só precisa ficar viva – e satisfeita o bastante pra parar de tentar fugir de mim.
Ela pode me odiar, eu não ligo.
Eu sou o melhor guardião que ela jamais poderia ter.”

 

O policial largou a carta, pasmo.
Pegou o telefone e ligou para o sargento.
-Alô? Sim, é claro que sou eu… tô com uma pista nova… Anna Darling está…
Estacou subitamente.
Nem sempre ser um herói é ser honesto.
-Anna Darling está envolvida num esquema muito maior do que a gente pensava. Eu disse está?

Quero dizer “estava”… um dos ratos de plantão me deu uma dica quente. Procure e enjaule, mas sem violência, todos os engenheiros projetistas da Darling…
Ele suspirou e completou.
-A maioria, a esta hora, deve estar bem morta… mas alguém pode ter sido esperto o suficiente pra fugir. Agarrar esse cara vai ser como uma gincana, só que a outra equipe já está na frente.

Texto de: Luiz Hasse

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