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CAPITULO 5

Eu tinha sido um idiota. E parece que ia pagar caro.”

Anna era corajosa, e muito.
Estava com medo, podia morrer, muito provavelmente morreria, mas não ia fazer a Travessia Final – como dizia seu pai, antes de fazer a sua – como uma ovelhinha.
Aquele psicopata nojento, por assustador que fosse, com a lâmina encostada em sua garganta – ela tentava não pensar que naquela lâmina havia sangue de Kevin… Kevin não era só um guarda-costas… era seu melhor amigo… era seu protetor… fora contratado por seu pai quando ainda era vivo… ela crescera brincando de bonecas com Kevin… Kevin estava morto. Kevin tivera os dois braços quebrados, lutando com as mãos nuas e uma perna aleijada para que ela escapasse, e depois seu pescoço fora quebrado com um estalo. Ela não podia fazer mais nada por ele. – aquele garoto horroroso e assustador não ia conseguir o que queria dela tão fácil…
Suas mãos já haviam se crispado ao redor de sua arma – aquele monstro devia estar usando algum colete, apesar do sangue que lhe escorria do peito, mas o rosto estava exposto – ela portava uma pistola pequena, e sabia atirar desde os dez anos. Papai lhe ensinara a ser forte, responsável e, numa situação limite, contar apenas consigo mesma.
Ele estava parado já fazia um bom tempo. Poderia ter acabado com aquilo com um movimento simples… mas queria brincar com ela. Só podia ser isso.
Não se brinca com uma gata acuada.
Ela deu passo pra trás enquanto sacava a arma. A faca foi mais lenta – aliás, ele sequer a moveu, surpreso…
O estampido veio, o coice suave no braço veio e a bala foi – bem no rosto.
Um pouco de sangue…
E um sorriso.

 

“Gente! Era óbvio! Ela era o meu alvo!
Meu único propósito de existir. A única coisa que importava. Meu único objetivo era fazer a lindinha deitar e esfriar… para sempre. Este era o grande objetivo da minha vida… no que ele fosse cumprido, minha missão nesta terra teria sido cumprida.
Nada era tão evidente quanto isto naquele momento.”

 

A mão dele se moveu – rápida como uma cobra. A faca foi largada no caminho do sôco. Ele ainda sorria quando ela sentiu o baque, a tontura e a dor. E ainda sorria quando ela mergulhou numa escura e tranqüila noite interior.

 

“Aí é que eu pergunto:
Vamos supor que você soubesse qual é o seu destino, seu lugar e seu propósito neste mundo – e ele estivesse diante de você e bastasse um gesto de uma mão para alcançá-lo. Nada pode te impedir, Samurai! Um gesto de mão. Você o faria?
Se a sua resposta foi sim…
Bem, eu sempre achei que você fosse trouxa!

Texto de: Luiz Hasse

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