Link do capítulo anterior – pulpstories.com.br/…/a-visitante-na-casa-velha-3

CAPITULO QUATRO

Acordei assustado, como se despertado por um grito ou som repentino.
Havia uma coisa ao meu lado. Uma coisa com pelos, garras, cascos e chifre, com um mover-se felino, asas coriáceas entrevistas nas costas. Não lhe via o rosto, só os olhos brilhantes e selvagens.
Ela marcou a minha testa com a garra de sua mão direita, fazendo um risco suave, mas dolorido, e beijou-me ali.

Acordei com frio.
E fome.
Ela estava do meu lado. Dormia. Ou aparentava isso.
Mexi o corpo dolorido de ter adormecido sobre uma mesa de madeira velha e dura e me sentei. Ela abriu os olhos novamente.
– Eu… eu não queria….
– Shhhhh… Eu queria.
Fiquei de pé e me vesti encabulado. Aquilo fora dito quase em tom de censura.
– O que aconteceu aqui? Onde estão os outros? Quem estava atirando na gente?
Ela se levantou e me deu as costas, foi até a janela pequena e espiou por ali. Havia um pouco de luz que se infiltrava pela janela e outro pouco que vinha da lanterna, que eu esquecera ligada sobre o chão, voltada para a parede. Permaneceu de costas para mim. Não parecia nem um pouco incomodada pelo fato de estar nua.
– Eles estão atrás de mim. Fugi deles por dias na floresta. Foi sorte achar esse lugar. Eles me matam se me pegam. E te matam também por estar comigo. Não vai adiantar conversar ou negociar.
– São malucos? Você se meteu com gente errada?
– Sim. Eu me meti com gente errada.
– Havia alguém na casa quando você chegou?
– Havia.
Ela virou-se para mim, com uma expressão de seriedade e resolução.
– Eles morreram. Lamento.
Senti as pernas virando geleia, e foi a muito custo que não caí no chão no primeiro instante. Mas, passado isso, foi como se o choque me amortecesse. Ou talvez fosse aquela parte primitiva trabalhando de novo.
Sobrevivência em primeiro lugar.
Fiquei por muito tempo sem dizer nada.
– Eles vão tentar entrar – disse ela, me tirando da apatia.
– Tem uma arma na casa – respondi automaticamente – posso ir tentar buscar. Lá em cima.
– Espera.
Olhei para ela. Parecia haver mais apreensão do que o normal – O que era o normal? – em sua voz.
– Eu vou com você – completou ela.
– Você está ferida. A quantidade de sangue que perdeu…
– Sobe. Vai na frente. Você conhece o caminho.
Dei as costas e comecei a subir. Parecia inútil discutir. Além disso, ela não parecia mais tão frágil quanto antes. De fato, sequer parecia machucada.
Parei à frente da porta do porão. Escutei por um minuto inteiro. Silêncio total.
Abri uma fresta e espiei.
Apenas sombras.
Saí.
Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

CURTA NOSSA PÁGINA – facebook.com/pulpstoriesbr