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CAPITULO TRÊS

Lá embaixo, eu tateara no escuro em busca de objetos que eu sabia que já estavam lá. Encontrara uma lanterna, cuja luz eu fiz o melhor que pude para não alcançar as pequenas janelas no alto das frias e úmidas paredes de pedra e colocara a moça sobre a mesa esquecida que ocupava o lugar ali. Chegara ao ponto de ela desmaiar completamente.
Então, eu a examinara melhor. Tinha cabelos castanhos enormes e ondulados, que lhe passavam da cintura, um corpo flexível, atlético e voluptuoso ao mesmo tempo. Tinha uma beleza tão fantástica que mesmo na insólita situação em que me encontrava não podia deixar de notar. Até mesmo com certa perturbação.
Examinei seu ferimento. Parara de sangrar. Era um furo pequeno em sua pele, logo abaixo do esterno. Comecei a me preocupar e aproximei o ouvido de sua boca, para sentir a sua respiração.
– Me ajude…
Tentei me afastar, não sei por que. Ela despertara. Mas suas mãos, com insuspeitada força, me seguraram e me mantiveram ali.
– Tire de mim… é pequeno… e venenoso… uma faca basta…
Largou-me e caiu na inconsciência de novo.
Trêmulo e suando, mas movido por uma compulsão inexplicável, comecei a vasculhar o porão. Encontrei uma antiga faca de aço, felizmente não enferrujada e uma garrafa de álcool. Seria o melhor esterilizante a minha disposição naquele momento. Procurei também algo para estancar o ferimento. Achei panos velhos e um rolo de fita adesiva.
O que estou fazendo?
Caminhei até ela. Derramei o líquido sobre o ferimento, limpei a faca com ele e introduzi a sua ponta na ferida.
O que eu estou fazendo? O que eu PENSO que estou fazendo?
O projétil saiu.
Não era uma bala.
Era branco e pontiagudo. Com pequenas rachaduras ao redor. Era pequeno e não havia penetrado na carne profundamente. Parecia ser feito de…
– Osso?
Ela abrira os olhos. Visivelmente melhor. Sorria para mim. Sorri de volta, bobo, esquecendo-me de todo o perigo e do destino de meus amigos.
Desviei o olhar e pus-me a limpar aplicar o pano, limpo pelo álcool, sobre o ferimento, e depois a prende-lo com a fita adesiva. Ao tocar-lhe no corpo, senti como se um insuspeito calor voltasse a ele. E descobri, entre deliciado e horrorizado, que aquilo me excitava.
Senti um arranhão dolorido no braço.
Volvi os olhos para ela.
– Tenho fome…
Ela aferrara meu pulso com a mão direita.
– Não há comida aqui. Desculpe, eu…
– Vem.
– Mas…
Puxou-me para si com violência.
– Vem!
Apertou seus lábios contra os meus. O hálito dela era quente e doce. A língua mexia entre os dentes afiados enquanto suas mãos livravam-me das minhas roupas. Eu já não me pertencia mais quando me deitei com ela na mesa. O que se seguiu foi mais intenso que o mais delirante sonho que eu havia tido até então.

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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