CAPITULO UM

A noite ia alta e parecia que até mesmo os animais da escuridão estavam silentes e aguardavam com sombria expectativa.

O menor e mais fraco dos que se ocultavam sob as árvores, se moveu de seu esconderijo nas sombras, envolto em panos negros, espreitou a grande casa comunal onde a numerosa família de campônios vivia. Era verão e os porcos estava do lado de fora, dormindo no chiqueiro.

O batedor certificou-se de que não havia vigias ou estranhos no local. Ergueu uma mão com um pedaço de metal polido e brilhante voltado para a floresta, que cintilou com a luz clara da Lua para os outros.

Os porcos foram os primeiros a notar quando eles avançaram, guinchando furiosa e apavoradamente.

Os camponeses acordaram, cheios de terror, e, pelas janelas, viram tochas serem acesas enquanto vultos escuros cercavam sua casa. A porta foi posta abaixo e ele entraram.

Os homens mais bravos tentaram resistir, apenas para morrer sob as lâminas dos inimigos. Os mais sábios, ou covardes, ou conformados, fugiram entre a matança, quando seus parentes e amigos morriam, ainda que com lágrimas de medo e desespero nos olhos. Não foram perseguidos, mas os gritos das mulheres violadas e das crianças chacinadas os atormentavam, espalhando horror pela noite.

Rápido como começou, o turbilhão de sons de matança e crueldade cessou. A última vítima a ficar para trás foi silenciada para sempre pouco tempo depois.

A casa queimava consumindo os corpos dos que caíram.

Ordenadamente, os atacantes voltavam para a floresta, com as lâminas e mantos negros encharcados de sangue.