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CAPITULO TRÊS

Mauro terminou de inspecionar a casa que estava prestes a adquirir. Era muito melhor que a sua, de fato. Mesmo que a sua fosse o casarão de seus ancestrais. Tinha móveis novos. Coisas bonitas. Foi quando ele decidiu:

– Vou me mudar pra cá.

A viúva, séria e com uma tristeza genuína, e o advogado que os acompanhava, ouviram a frase ser proferida. Em seguida tornaram a tratar dos papéis. Finalmente, tudo era dele. Depois da assinatura, ele olhou para a viuvinha. Morena, pequena e delicada. E desamparada. Sozinha num mundo cão. Caio fora um covarde. Olhou para o rábula e falou:

– Dr. Candeias, vai dar uma volta. Preciso trocar umas palavras em particular aqui.

Sozinhos. Ele e a jovem. A beleza dela era inebriante. E o medo em seu olhar também.

– Não quero que a senhora pense que não tenho coração. Não vou lhe por no olho da rua. Não vão dizer que deixei uma viúva desamparada. Pode ficar na casa até conseguir casamento de novo. Se quiser.

Ela passou os olhos ao redor. Como que procurando algo ou alguém que a salvasse. Pesou suas opções. Não tinha muitas.

– Aceito, senhor Mauro – disse com lágrimas nos olhos.

– Me chama só de Mauro – disse ele com um sorriso – Vai, me mostra a casa. Não conheço todos os detalhes dela por dentro.

Quando desceram ao porão, ele viu como o seu antigo vizinho era bem sortido de bebidas. Deu uma risada, tirou uma garrafa do suporte e a abriu com o canivete que tinha no bolso. Tomou um gole e estendeu à Mariana:

– Bebe comigo.

Ela tomou um gole pequeno. Ela sabia o que aconteceria ali. E resignou-se.