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CAPITULO DOIS

Caio construíra uma bela casa. Sim, era a casa mais bonita das redondezas. Nova e brilhante. E lá fora feliz. Sua jovem esposa o amava, ele tinha certeza. As noites de ambos eram divertidas e tudo indicava que encheriam aquelas terras de filhos. Mas não mais. Mariana teria que arranjar outro homem. E que ele fosse bom para ela era o desejo mais caro de seu coração. Sacara do banco tudo o que ainda era seu e deixara na cozinha, num pote que tinha certeza que ela mexeria cedo ou tarde. Era o melhor que ele podia fazer.

A praga viera e acabara com as plantações e bichos de todos os vizinhos. Todos, exceto dois. E ele se julgara afortunado. Protegido, até. Mas agora descobria que tudo era ilusão. Ele não era imune. Teve pena de Mauro. Ele seria o último a ser atingido, ele sabia, porque era o último que restava. Depois que tudo se arruinara em suas terras também, só havia um caminho natural. Depois do penúltimo vem o último. Mas morreria com honra.

Havia se beneficiado do azar na vizinhança. Tanto ele quanto Mauro haviam feito bons negócios com os outros fazendeiros em desespero. Mas ele não se rebaixaria. Mauro lhe fizera a proposta de compra nesta tarde. Mas ele vira os olhos humilhados daqueles que deixavam o pedaço de terra conquistado com tanto sacrifício. Não ocorreria com ele.

Sozinho, do lado de fora, olhou para a lua no céu noturno, sobre os campos vazios. Tinha nas mãos uma garrafa de um de seus melhores vinhos. Tomara para dar coragem. Os restantes continuariam no porão de sua casa. Mariana talvez os pudesse vender. Levou a pistola à têmpora e deu o tiro.