CAPITULO SEIS – O ÚLTIMO

 

Noite do mesmo dia.

Saída de uma boate.

Uma garota se desgarra do grupo com que estava e começa a caminhar sozinha. Começa a chover, e ela maldiz a própria sorte.

No meio da chuva surgem os faróis de um carro. Ela olha para trás. Que estranho, pois é igualzinho ao carro que ela viu, há um mês, na casa de uma velhinha solitária que, segundo amigos disseram, guarda por recordação do neto falecido. Mas, segundo o que lhe disseram, a velha era louca, e nunca aprendera a dirigir. Um carro velho e malcuidado.

O carro encosta do lado dela. A chuva está ficando pior. Os vidros do carro são negros e não permitem enxergar nada. Mas a porta do carona se abre e ela pode ver uma única pessoa lá dentro. Um adolescente como ela, magro, baixo, narigudo e cheio de espinhas, de uma palidez impressionante, e um aspecto de doente. Ele está sorrindo, é pura cortesia, e há algo de estranhamente magnético no seu sorriso.

-Oi. Quer uma carona? Tô indo pro mesmo lado…

Ela hesita. Mas ele parece bem simpático. Além disso, está sozinho e é mirrado. Se tentar alguma besteira, ela acha que pode muito bem se defender.

-Brigada. Vou aceitar. Qual é o teu nome? – diz entrando no carro, já cativada.

-Ah! Me chama do nome que tu quiser. Não tem importância mesmo.

A porta se fecha e o carro começa a andar, desaparecendo em meio à chuva de inverno cada vez mais forte.