Link de todos os contos do Jack já postados – pulpstories.com.br/…tegory/jack-bailarino

Sou um maldito assassino. Puta que pariu. Uma porra de um assassino solitário. Se ganhasse um dedo por cada pessoa que matei, eu poderia bater palmas por um estádio inteiro.

Mesa de bar. Eu aqui enchendo a cara, e pela primeira vez em minha vida esperando companhia. Nunca pensei que iria me render a era digital. Mas sim. Jack Bailarino conheceu alguém pela internet, e aguarda ansioso ao seu encontro.

Faz mais de seis meses que somente conversamos. Apenas uma foto dela, e um rosto angelical. Sempre gostei de mulheres mais novas. Acho que estou ficando um pouco babão. O papo é que converso com ela já algum tempo, e por incrível que pareça essa garota me amoleceu. Desde que comecei a falar com esse anjo, não matei mais ninguém. É, acho que a idade e a carência estão acabando comigo.

São quase seis horas da tarde. Tomo mais uma dose de whisky, e a porta do bar balança. É ela, a garota. A minha garota. Um corpo fantástico e um rosto de um verdadeiro anjo. Me pergunto? O que uma belezinha dessas vai querer com um veterano cheio de cicatrizes como eu?

– Olá! Você é o Jack?

Por alguns segundos perdi a noção do tempo olhando para aquele rosto esculpido pelos deuses.

– Ok! Sim! Quero dizer sou Jack sim.

Um sorriso que deixaria até um padre de pau duro saiu daquela maravilha toda.

– Sou Lenita. Está tudo bem? Você só me olha. Está decepcionado com o que vê?

– De maneira nenhuma. Na verdade estou decepcionado e não ter te conhecido antes.

Mais um sorriso brotou daqueles lábios.

– Ok. Desculpe. É que não estou acostumado com esse tipo de situação. Mas me fale Lenita… E você… O que achou de mim? Se não gostou, pode ir embora agora, sem problemas. – Falei dando mais um gole em meu drink.

Pela primeira vez em muitos anos, senti a mão de uma mulher segurar a minha. Ela pegou meu copo, e secou ele quase que instantaneamente. Fiquei vidrado naquela garota, não conseguia enxergar mais nada. Fazia mais de vinte anos que meu coração não disparava em um ritmo tão intenso.

– Podemos ir para um lugar mais tranquilo se você quiser Jack. – Falou Lenita.

Meu sangue ferveu. Não sabia o que fazer. Quando acontece isso, acho que nunca sei o que fazer.

– Sim…Sim… Claro… Podemos beber em outro lugar se quiser.

Lenita pegou em minha mão novamente, e já nos dirigíamos a saída do bar. Ela com toda aquela volúpia juvenil, e eu me sentindo um garoto, em ponto de bala.

O bar todo nos observava. Eu sentia seus olhares de reprovação. O que um veterano como eu fazia com um anjo daqueles. Eu poderia ler esse pensamento em suas mentes. Fodam se todos. Afinal sou o Jack porra! E estou vivo… Foda se tudo. Vou aproveitar. Acho que mereço uma recompensa divina por toda a merda que já mandei para o inferno.

Quando já estávamos quase fora do bar, um sujeito alto, forte e com cabelos loiros, entra com a fúria de um touro quase jogando a porta em minha cara.

– Sua desgraçada eu falei para não sair de casa. O que você está fazendo com esse sujeitinho imundo, em uma pocilga como essa.

O terror se estampou na cara da garota. Ainda não conseguia entender e nem falar nada.

– E você seu marginal. Vou te meter no xilindró. Você sabe quantos anos ela tem? Seu psicopata de merda.

Nesse momento o sujeito agarrou-me pelo colarinho e me deu um soco bem no queixo. Quando voltei a si. Ele já havia saído porta fora com a garota. Só consegui escutar seus gritos pedindo desculpas para seu pai.

Que saco. Me apaixonei por uma garota proibida. E o pior durou apenas alguns minutos.

Quando levantei minha carcaça do chão, três sujeitos enormes me olhavam com cara de desprezo. O ódio brotava de suas narinas.

– Ok. Amigos. Foi um erro. Eu não sabia a idade da garota. Ela mentiu. Quem nunca cometeu um. Bebam comigo. Eu pago a próxima rodada.

Erro nada seu porco sujo. Vamos lhe dar uma lição para nunca mais esquecer do que fez. – Falou um dos sujeitos socando uma mão na outra.

– Desculpem-me amigos. Eu nem tive tempo para fazer nada. Aceitem o drink do velho Jack e se mantenham vivos.

Virei me de costas para os sujeitos, e me concentrei novamente no copo. Sabia o final daquilo tudo. O velho Jack voltaria a ação. Senti um quebrar de garrafa em minha retaguarda. Um dos sujeitos partia para cima de mim querendo meu pescoço. Com a habilidade costumeira, saquei minha arma e atirei no pescoço dele. O sujeito caiu esguichando sangue ao vento. Antes que os outros se mexessem, já havia atirado no pinto de um e na sobrancelha do outro. Os dois caíram agonizando no chão do bar. Voltei novamente para meu whisky, olhei para garçom, em pleno pavor e disse:

– Depois de quase seis meses um Hat- Trick, acho que está bom para começar. Bota mais uma ai homem.

Texto de: Mauricio Prestes

Curta a Pulp Stories!