E ele disse que vivia de poesia…
poesia para ele, as flores e os cantos
e o amor , e a tristeza sem reação,
tudo aquilo que já fora morto,
nas falhas de outros poetas que gastaram a vida,
escrevendo a mais lírica perda de tempo…

Nunca puderam ver,
a beleza de uma puta emboletada,
dançando em cima de uma mesa bamba,
equilibrando-se com um fio de alma
só e puramente pelo dinheiro de um qualquer,
que possa pagar

Há tristeza e luxuria,
há traição e sobrevivência
há dezenas de garrafas vazias e nuvens de câncer no ar
há admiração pelo corpo,
esculpido por deus,
escravizado pelo diabo…
há indiferença pela mente atormentada pelo vício,
que paradoxalmente,
retarda o caminho para morte, fazendo da vida mais suportável,
e curta…

Mas o que há em todos, o que se pode ver em qualquer gesto ou expressão,
é prazer justificável, de não estar em casa, no trabalho
ou em qualquer outro lugar, qual tenha de se portar como um cachorro recém castrado…

A suntuosa rima, esnobe como a auto estima de uma mulher feia,
nunca será mais comovente, do que qualquer puta,
de qualquer boate,
de qualquer cidade…

No fim da noite, quando tudo vira bar,
o mundo se embriaga de gin com tônica
e o preço pelo sexo é considerado justo
mas tratando-se de melancolia,
o mundo ainda tem muito que aprender com os bêbados,
que há essa hora, vomitam parte da vida,
para continuar a beber, em paz….

 

Texto de: Vinícius Prestes Antipoeta )

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