Slavoj Zizek disse que, para se ter uma ideia do que realmente está assustando as pessoas num filme de terror, deve-se olhar para todo o resto do filme se perguntar: sobre o que este filme seria se não fosse um filme de terror?
 
Talvez possamos fazer um exercício semelhante com os monstros e, assim, descobrir o que nos intimida neles.
 
Perguntando: se eles não fossem monstros, o que seriam?
 
Jason Voorhes seria uma criança portadora de deficiência, que se afogou num lago devido à negligência dos adultos. Sua mãe uma mulher enlutada por uma dor irreparável.
 
Freddy Krueger seria um homem inocente que foi linchado por uma turba enfurecida em nome de um mundo melhor para as criancinhas. No mundo real, onde ocorrem a maior parte das formas de violência contra as crianças?
 
Dracula seria um aristocrata antiquado, sofisticado e hedonista do leste europeu, tentando se adaptar a uma Inglaterra economicamente progressista e científica, mas moralmente conservadora, sexualmente reprimida e xenófoba.
 
O Lobisomem seria o sujeito de quem desconfiamos quando algo sai errado e sobre o qual inventamos histórias sinistras. Se aquele cara não está massacrando as ovelhas e as pessoas, então quem está? Só pode ser ele.
 
Pennywise seria parte do mundo infantil sobre o qual os adultos não tem nenhum controle. Um amigo imaginário. Ou inimigo. Mas, ainda assim, imaginário. Por que as crianças imaginariam semelhante criatura? Preste atenção em que tipo de realidade ainda existiria em Derry, mesmo que não existisse A Coisa.
Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php
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