‘’Então, entende por fim, o porquê da morte ser, inevitável? ‘’ – disse a morte…

‘’Só morrendo pra saber, não é mesmo? ‘’ – respondeu o rapaz…

‘’Exatamente, não há nada a que você e eu, possamos fazer.’’

‘’Relaxa, eu entendo é a sua função.’’

‘’Você é um ser raro, um dos poucos que me aceita, sem culpa.’’

‘’Não há culpa, não há nada, apenas eu sua sombra e essa luz, pode apagar?’’

‘’Que luz?’’

De volta a vida…

– Seu filho está instável, esteve morto por alguns minutos… – disse a enfermeira

– Meu deus! Posso ver ele? – pediu a mãe

– Ainda não, o doutor ainda está com ele… – respondeu a enfermeira, esboçando um sorriso doce.

 

No leito, o doutor sussurra em uma língua morta, palavras que fazem a sala escurecer…

Ele caminha até a cama, seus passos são silenciosos, tranquilos como a madrugada, no cateter ele administra uma alta dose de morfina na veia do jovem rapaz, que imóvel e inativo, permanece…

Por uma fração de momento, o rapaz se movimenta de forma brusca, mas é insignificante, quase que imperceptível, e a impressão  após a morte é de total, satisfação…

 

Na escuridão absoluta, surge das sombras, um rosto ósseo, esculpido pela eternidade, o rosto da morte, o rosto flutua, o rosto se aproxima, o rosto fala:

– Obrigado doutor…

– Você está enfraquecendo, morte…

– E o senhor, está cada dia mais novo…

– Novo, mas ainda mortal…

– Sabe que não posso lhe pagar com a imortalidade…

– Sei…

– Fechamos em mais 10 anos?

– Mais 12…

– Que assim seja…

 

O doutor de 370 anos, saiu porta afora, aparentando ter apenas, 54…

 

– Doutor Heichbach! – gritou a enfermeira
– Sim?
– O que eu digo para mãe dele?
– Não diga nada, vamos sair daqui…
– Mas meu horário ainda não…
– Terminou, desde que aceite sair comigo para um drinque.
– Vou me trocar. – respondeu a enfermeira esboçando um sorriso confuso
– Te espero no carro, como é seu nome mesmo?
– Melissa.
– Te espero no carro, Melissa… – finalizou o doutor, antes de sair do hospital à passos mudos…

 

Texto de: Vinícius Prestes – facebook.com/profile.php

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