O relógio marcava seis horas. O sol ainda nascia tímido no horizonte. Havia marcado o exato momento em que iniciávamos nosso trajeto em meio as trincheiras.

Nosso pelotão era pequeno. Talvez uns vinte homens. Como era apenas uma missão de reconhecimento, seria o suficiente.

Éramos liderados pelo veterano sargento Hard Fênix. Sem dúvida alguma, o cara mais casca grossa que eu havia conhecido naquela guerra.

Antes que continuássemos a caminhada, o veterano Hard falou:

“Senhores! Aqui não existe garotos. Não somos humanos. Somos demônios. E estamos na terra para comer o fígado do inimigo. Lembrem-se disso…Fígado dos miseráveis…

Continuávamos nossa caminhada em meio as trincheiras. Ao meu lado um garoto por volta de seus vinte e poucos anos. Em seu sutache havia o nome de Jolander. Era nítido seu nervosismo. Olhava a todo instante para mim. Sua intenção era puxar conversa. Eu não me importava com nada.

– É sua primeira vez garoto? – Perguntei ao recruta inquieto.

–  Sim senhor. Minha mãe não queria que eu viesse para guerra. Eu falei para ela que nunca abandonaria minha pátria. Se tiver que beber o sangue do inimigo, eu beberei. Tudo pela minha bandeira. Desculpe senhor…Realmente estou muito nervoso. Não sei como agir…

– Relaxa garoto. Logo estará bebendo uísque barato com uma prostituta chupando o teu pau…

O jovem garoto sorriu para mim. Eu sabia o que iria acontecer. O sangue iria jorrar logo. Ele não iria durar muito.

Andamos mais alguns metros, e o tiro começou a cantar sobre nossas cabeças. O veterano Hard gritava incessantemente:

– Abaixem suas cabeças desgraçados…Olho no inimigo…Vamos comer o fígado deles…

O fogo riscava o céu. A fumaça com cheiro de sangue era algo que me deixava de pau duro. Teria um orgasmo ali mesmo se pudesse.

Um a um os inimigos iam caindo. Quanto mais avançávamos, mais miseráveis iam sucumbindo com poder de nossos fuzis.

Já estávamos quase na boca do dragão. Prontos para escalpelar os desgraçados. Quando o garoto punhetero resolveu jogar uma granada. A mão tremeu. E o filho da puta fodeu contudo.

A porra da granada caiu mansamente em meio  ao nosso pelotão. O veterano sargento Hard Fênix não teve dúvidas. Agarrou as costas do garoto, e se jogou com ele em cima da granada. A explosão fez voar tripas e miolos no ar. Depois que a poeira baixou, apenas a voz do veterano Hard Fênix imerso a tripas e sangue:

– Maldito boi de piranha…

Texto de: Mauricio Prestes

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