No caminho para o trabalho, às seis e tanto da manhã, passando na frente de um edifício, vejo um homem. Mais sério do que um capincho, como dizia o Sr. Braun. Aquela mistura de raiva e consternação no olhar. Fúria, medo e preocupação.

Nessas horas eu me exercito. O que segue é ficção:

A história se desenrola. De trás pra diante começo a vê-la. Ele espera a filha voltar para a casa, ansioso. Algumas horas antes, aproveitando-se da tranquilidade que a ausência dela proporcionava, foi se divertir na Internet, da maneira que o fazem todos os adultos, embora nem todos admitam. E lá, no seu endereço preferido, NOVINHAS AMADORAS(+18), acessou sua seção favorita PERDENDO A LINHA AO VIVO. E então teve uma surpresa. Um pouco antes, ao sair, a filha dissera: “Vou estudar na casa da Fulana e dormir por lá.” Fulana confirmou pelo telefone. Um homem que se apresentou como pai da fulana também confirmou. A voz dele é perturbadoramente semelhante à de um dos participantes do vídeo que ele assistiu, chocado, esta noite. Embora as linguagens empregadas em cada uma das situações sejam completamente diferentes.

Agora ele espera, entre a raiva e o repensar de toda uma existência, a volta da filha pródiga de sua noite de amor e riso.

Um escritor, como dizia o Sr. King, é um homem que ensinou sua mente a se comportar mal.

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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