Dia difícil, todo mundo feliz com o dia dos namorados, eu aqui nesse bar que mais parece uma pocilga bebendo essa cerveja horrível. Tentei pedir um uísque para garçom, mas o desgraçado parece que não me escuta. O jeito e beber essa merda mesmo.

O que seria pior do que beber uma cerveja horrível sozinho no dia dos namorados? Talvez câncer ou uma bomba nuclear. Se bem que se caísse uma bomba nuclear nesse exato momento eu ia ficar felizão. Nunca conheci um bar tão escroto igual a esse, nem sei como parei aqui. Lembro que sai de casa e queria achar algum lugar legal para beber. No caminho milhares de casais juntos passeando felizes. Que depressão, imaginar que já tive isso e joguei fora.

Agora o que me resta e um bom coma alcoólico. Nem que seja com essa cerveja merda, hoje eu vou ficar em um estado deplorável. Eu quero ficar em um estado deplorável.

– Garçom! Mais uma cerveja merda aqui no balcão por favor. Porra que diabos que esse garçom não me escuta.

– Porra garçom eu tenho dinheiro, eu só quero ficar bêbado.

– Calma jovem. – Vamos conversar um pouco primeiro.

Uma voz do meu lado do balcão respondeu. Quando olhei para ver quem era o maldito infeliz que me chamara de jovem e queria conversar comigo filho da puta, levei um baita susto. Um enorme gato preto com uma mancha branca na testa que mais parecia ser um sinal de interrogação.

– Que porra é essa? – Tu é um gato? – Que merda, tu fala. – Eu sabia que esse cerveja era uma merda agora não pensava que iria alucinar.

– Calma jovem, eu sou um gato sim. – Eu não falo, eu bebo.

Falou aquele enorme gato preto e gordo com sinal de interrogação na testa virando uma enorme caneca de cerveja que mais parecia um balde.

– Tudo bem miau, eu acho que estou louco, mas caso eu não esteja louco e você exista de verdade. – O que você está fazendo em um bar bosta como esse, tomando essa cerveja merda e conversando comigo?

– Você precisava de mim, eu estou aqui.

– Que diabos vou precisar de um gato preto e gordo tomando cerveja do meu lado. – Tem uma arma pelo menos?

– Você não precisa de uma arma jovem, mas talvez uma boa viagem para Marte.

– Porra gato! – Que me enlouquecer. – Que merda essa de viagem para Marte. – Eu mal conheço o quarteirão da minha casa. – Botaram o que nessa merda cerveja.

– Calma jovem. – Seu bilhete está aqui. – Já estava aqui a algum tempo. – Vim especialmente para traze- lo.

O gato grande e gordo, estendeu a mão com um bilhete dourado e vermelho e botou em cima do balcão em minha frente. Nele estava escrito: “Você será nosso quinquagésimo terceiro passageiro a viajar para marte hoje, bem vindo ninja cor de abacate.”

Cara que loucura isso, uma gato grande e gordo bebendo do meu lado e me oferecendo uma passagem para Marte. Só posso estar mal da cabeça.

Mas também fodasse, não tenho nada melhor para fazer mesmo. Prefiro ir para Marte do que ficar bebendo essa cerveja merda.

– Está bem gato. – Como faço para pegar esse tal foguete para Marte?

– Siga aquele corredor jovem, vai até o final e quando chegar na luz azul de um tapa na cabeça do anão que estará do lado da porta.

Falou o gato com sinal de interrogação na testa, apontando para corredor que estava escrito sanitários. Não entendi muito bem, mas mesmo assim peguei minha passagem, dei um sinal de cabeça para o gato e segui e, direção ao corredor que o gato indicara. Não acreditava que estava fazendo isso, mas o que eu tinha a perder, fodasse, vamos dar um role em marte. Já estava fodido mesmo, vai que em Marte tenha cerveja boa.

Segui em direção ao corredor, antes de entrar olhei para atrás para ver se o gato ainda estaria ali. O gato não estava mais, mas no mesmo lugar que o gato estava sentado agora havia uma enorme tartaruga com um canhão nas costas,  um fodendo Pokémon. Ela fazia sinal de positivo para mim. Virei me rápido dei  uma batida de ombros e continuei.

Adentrei o corredor escuro, quando caminhei alguns passos, luzes vermelhas e verdes iluminaram todo corredor, e bem no fundo enxergava a luz azul falada pelo gato. Só faltava o tal anão. Segui em frente, passei por um casal de coelhos transando, algumas mariposas fumando um cigarro estranho e uma girafa pequena. Finalmente cheguei ao fim do corredor.

Cadê a porra do anão? Pensava comigo mesmo. De repente, uma enorme boca abria se na fechadura de uma porta, uma boca estranha, se aranha tivesse boca certamente seria de uma aranha. Abaixo da enorme boca havia uma frase. “Insira seu ingresso para Marte aqui.”

Peguei meu ingresso dourado e vermelho e botei rapidamente naquela boca. A luz azul enfraqueceu um pouco, e a porra do anão estava lá de cabeça para baixo fazendo bungee jumping e sorrindo para mim. Não tive dúvida, sentei um tapa na cabeça daquele anão filho da puta com toda a minha força que poderia ter naquele momento. A luz começou a ficar mais forte do que nunca. O miserável do anão girava com uma tão rápido que mal conseguia o ver.

Algo muito gelado começou a cair em meu rosto, porra será que esse anão filha da puta está mijando em mim. Do nada uma voz gritava em meu ouvido

– Acorda desgraçado! Acorda infeliz!

Era o garçom me dando tapas na cara e jogando água em meu rosto, eu praticamente desmaiado no balcão.

– Porra foi tudo um sonho? – Cadê a porcaria do gato? – E o anão?

-Cara eu não sei de gato, e anão nenhum. – Só sei que me deve onze cervejas e um tapa na orelha seu bêbado infeliz.

Falou o garçom com ódio no rosto, e uma orelha da cor de um tomate. Paguei as cervejas e sai tranquilo pela porta do bar. Que lindo dia para se dar um passeio pensei comigo mesmo.

Sempre gostei do dia dos namorados….